Democracia sofre golpe na PUC-SP

A decisão do Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, Grão-chanceller da PUC-SP, foi divulgada no final da tarde de hoje: Anna Cintra, a última colocada no pleito eleitoral de agosto, foi indicada nova reitora da universidade. O ato, assinado na data de ontem, vai contra a decisão da comunidade puquiana, que havia escolhido a reeleição de Dirceu de Mello, e também contra a tradição democrática de mais de três décadas. Desde 1976, a universidade elege seu reitor por meio de um processo democrático e direto, em que votos de alunos, funcionários e professores são paritários, ou seja, têm o mesmo peso no resultado. O grão-chanceller da universidade, por sua vez, deve homologar a decisão da comunidade, sendo que nunca antes a Fundação São Paulo, entidade mantenedora da PUC-SP, e a Igreja Católica bateram de frente com os resultados democráticos das eleições. Há exatos 3 meses, a então candidata Anna Cintra assinou um documento, entregue pelos próprios alunos da entidade, comprometendo-se a não aceitar a nomeação do Grão-chanceller, caso sua chapa não fosse a mais votada entre as três concorrentes. Até o presente momento, a candidata nomeada não se pronunciou. A decisão demonstra a crescente intervenção da Igreja na esfera acadêmica e já provocou revoltas entre os membros da comunidade puquiana. Uma assembleia geral foi marcada às pressas para às 21h do dia 13 de novembro de 2012. O encontro aconteceu na “Prainha”, local de convivência dos freqüentadores do espaço universitário, que abriga a maioria dos Centros Acadêmicos. Com centenas de estudantes e funcionários presentes, foi deliberada a Ocupação da Reitoria, uma greve geral e um "cadeiraço", no qual as carteiras da universidade foram empilhadas em ambientes externos às salas de aula, como o Pátio da Cruz e a própria "Prainha". Na manhã da próxima quarta-feira, dia 14 de novembro de 2012, os três setores da PUC-SP (alunos, professores e funcionários) se reunirão em assembleia, com o intuito de decidir o futuro das manifestações. Crédito-charge: João Rabello Crédito-foto: Anali Dupré