Por Stefano Wrobleski

Após uma eleição marcada por disputas em torno de uma urna do campus Sorocaba que não teve suas cédulas rubricadas, a comunidade puquiana volta a ficar aflita.

Depois de mais de um mês com o resultado homologado pelo Consun e enviado ao Grão-Chanceler Dom Odilo Scherer para que ele nomeie o próximo reitor que governará a PUC-SP de 2013 a 2017, surgem novos indícios de que o cardeal pode não respeitar os votos da maioria e escolher o segundo ou terceiro colocados.

Vídeo: entenda como funciona a eleição para reitor na PUC-SP

Segundo a Agemt apurou, as três candidaturas reuniram-se individualmente com Dom Odilo para explicar suas propostas. Os temas mais tratados foram a qualidade acadêmica, a questão financeira e a relação da universidade com sua mantenedora, a Fundação São Paulo.

As reuniões aconteceram na semana que antecedeu a ida do cardeal a Roma, onde participa da 13ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. O evento teve início em 7 de outubro e terminará no próximo dia 28.

Imagem escaneada juntando os três termos assinados por cada um dos candidatos à reitoria da PUC-SP em 2012 onde se comprometem a recusar a nomeação ao cargo se não forem o primeiro colocado

Documento assinado durante debate entre os candidatos à reitoria onde se comprometem a recusar qualquer nomeação ao cargo se não forem o primeiro colocado

De acordo com Luiz Augusto de Paula Souza, professor da pós-graduação em Fonoaudiologia e um dos coordenadores da campanha de Anna Cintra, os três candidatos assinaram nessas reuniões um termo proposto por Dom Odilo onde afirmam que aceitariam uma nomeação à reitoria, não importando sua colocação na eleição que gerou a lista tríplice.

O termo contraria o documento assinado pelos candidatos no debate organizado por estudantes e realizado em 13 de agosto no Tucarena. Nele, os três assumiram o compromisso de recusar qualquer indicação à reitoria caso não fossem o primeiro colocado (veja a imagem ao lado).

Questionado se aceitaria uma nomeação ao cargo, o professor da pós-graduação em Administração Francisco Serralvo, que ficou em segundo lugar na eleição geral, desconversou: “Muitos fatores precisam ser considerados na escolha”. Ao ser perguntado se isso não seria uma contradição com o termo assinado, Serralvo afirmou “não ter elementos para responder”.

Sua vice, a professora de Psicologia Ana Bock, disse que “a gente vive nessa contradição entre o que é legal, que é a escolha do cardeal” e os “desejos da comunidade”. Para ela, a universidade lutou pouco para resolver isso e “há um certo acomodar da situação”.

Para Luiz Augusto, a nomeação do segundo ou terceiro colocados não é boa: “Prefiro que Dom Odilo escolha o mais votado, ainda que isso também seja negativo”. Em sua avaliação, a universidade está hoje fraturada e não teria forças para reagir coletivamente contra uma nomeação dos candidatos menos votados.

Já Dirceu de Mello, atual reitor e candidato mais votado pela comunidade, afirma não estar “apreensivo” pelo resultado. Apesar disso, concorda que “entre a homologação e a nomeação existe um longo caminho”.

Ao ser contatada pela reportagem Anna Cintra, professora da pós-graduação em Língua Portuguesa e terceira colocada na eleição, informou que não falaria nada e que “está esperando a decisão do cardeal”. José Eduardo Martinez, vice da candidata e diretor da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde, não retornou a tentativa de contato.

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