POR Adriano Madruga, Lincoln Castro e Marcos Davison
O reconhecimento automatizado da face, ou sistema de reconhecimento facial, começou a ser desenvolvido na década de 1960, onde o primeiro sistema semi-automatizado para o reconhecimento exigia que o seu administrador localiza-se características nas fotografias (por exemplo, olhos, orelhas, nariz e boca) antes do sistema calcular distâncias e rácios para um ponto de referência comum. Esse ponto de referência era depois comparado com os dados disponíveis sobre quaisquer indivíduos registrados.

Na década de 1970, Goldstein, Harmon e Lesk, pesquisadores da área de física neural, utilizaram 21 marcadores específicos para o reconhecimento, incluindo a cor do cabelo e a espessura dos lábios. O problema com estas duas soluções iniciais é que o cálculo das medições e localizações deveriam se feitas manualmente.

Em 1988, Kirby e Sirovich aplicaram o princípio da análise de componentes, uma técnica de cálculo padrão, para o problema de reconhecimento. Isso foi considerado como uma espécie de marco, na medida em que se mostrou ser menos necessário o uso de centenas de valores característicos para conseguir decodificar com exatidão uma imagem de um rosto normalizado e alinhado.

Essa tecnologia começou a chamar atenção devido à reação dos meios de comunicação após seu uso experimental durante o Super Bowl em janeiro de 2001, que capturou imagens de vigilância e as comparou com uma base de dados de conteúdos digitais. Desde então, após essa demonstração, iniciou uma análise sobre a forma de utilizar a tecnologia para suprir determinadas necessidades nacionais, considerando ao mesmo tempo as preocupações sociais e de privacidade.

Atualmente, a tecnologia de reconhecimento facial está sendo utilizada para o combate à fraude com passaportes, para o reforço de diversas legislações, para a identificação de crianças desaparecidas e para minimizar as fraudes de benefícios/identidade.

Sistemas mais aprimorados já são amplamente usados pela indústria de segurança, que tem diversos governos entre seus clientes. Aeroportos, estádios e alguns shows organizados usam essa tecnologia buscando associar rostos de suspeitos armazenados em bancos de dados oficiais.

Um estudo publicado em 2016 pela Universidade Americana de Georgetown, mostra que mais da metade da população adulta dos EUA tem o rosto fichado por sistemas de reconhecimento facial, usados pelo FBI e a CIA. Essa prática não é regulada nos EUA, o que torna a questão alvo de debates sobre direito à privacidade dos cidadãos e sobre serem vigiados, tudo em nome da segurança.


Uma outra pesquisa realizada pela Universidade de Essex apontou um volume relevante de falhas e apontou uma insatisfação, por parte da opinião pública, sobre como tem sido usado essa  tecnologia. Nesse estudo, realizado entre junho de 2018 a fevereiro de 2019, foi apontado que de 42 pessoas sinalizadas pelo software de reconhecimento facial, 22 foram detidas, destas, apenas oito eram procuradas pela justiça. A pesquisa aponta também que outros moradores de Londres foram abordados por questões que já haviam sido tratadas nos tribunais ou por crimes de menor potencial ofensivo, que não seriam considerados relevantes o suficiente para justificar o uso da tecnologia.

A pesquisa apontou ainda que a maior parte dos erros aconteceu em decorrência da pressa que a polícia, como a Scotland Yard, tinha em abordar os suspeitos antes da checagem de dados. Segundo especialistas, as listas muitas vezes estavam desatualizadas ou incluíam pessoas consideradas “em risco ou vulneráveis”.

Segundo Edér Felipe, professor de matemática e especialista em criptografia da USP: “Usar a inteligência artificial para conferir uma impressão subjetiva que só para possuir  uma certeza benigna não é algo que se possa basear em um fato, nem é justo”. Ele ainda afirmou: “ Isso pode representar o fim da privacidade de cada um”.

Leave a Reply