ALERTA: CONTÉM  SPOILERS

Por Carolina Faita e Matheus Crivelari

Capa oficial do filme

Data de lançamento: 29 de agosto de 2019

Duração: 2h 10min

Direção: Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelles

Roteiro: Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelles

Produção: Emilie Lesclaux, Saïd Ben Saïd, Michel Merkt

Elenco: Sônia Braga, Udo Kier, Barbara Colen, Silvero Pereira e mais

Gêneros: Drama, Suspense, Faroeste

Bilheteria no Brasil: 388.023 entradas

            O filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles conta sobre um povoado do sertão de Pernambuco, Bacurau, que em um futuro recente descobre que a comunidade some misteriosamente do mapa e os sinais telefônicos e de internet desaparecem. Quando uma série de assassinatos inexplicáveis começam a acontecer, os moradores da cidade tentam reagir para descobrir os autores. No desenvolvimento da trama, percebe-se que um grupo de estrangeiros estava jogando uma espécie de “jogo da morte ”, no qual quem matasse mais pessoas pontuava mais. Ao final, existe um confronto dos moradores da cidade com os inimigos.

           Um conceito é fundamental para compreender essa ficção do cinema brasileiro: resistência. Característica marcante do povo nordestino, devido às imposições históricas e preconceitos, o filme traz de volta esse tema de forma bastante inteligente. Brasileiros de outras partes do país, os estrangeiros e até seus próprios conterrâneos ricos (o prefeito de Bacurau compactua com os assassinos para fins pessoais ) fazem de tudo para destruir a cidade, que precisa se defender somente com suas forças, como sempre foi na história. A xenofobia é arremessada na cara da audiência. E, apesar de se passar em um futuro próximo, os diretores mostram que as questões abordadas são de fato muito atuais.

           Quando se trata dos personagens, à primeira vista parecem simples e estereotipados, mas, no desenrolar do enredo, se mostram complexos e representativos. Domingas (Sônia Braga), a médica do vilarejo, é uma mulher amargurada e sem mais motivações para viver. Porém, ao passo que os problemas vão aparecendo, sua vontade de ajudar, que na verdade estava ali o tempo todo, volta à tona, exaltando seu espírito de comunidade. Lunga (Silvero Pereira), um cangaceiro renegado por Bacurau, que volta à cidade a pedido de alguns, mas gerando desgosto em outros, para combater os problemas que aparecem, apresenta outro personagem muito interessante. Vale citar também o líder dos assassinos, o alemão Michael (Udo Kier), que traz alguns dilemas de seu passado sem explicar ao público quais são, mostrando um personagem cativante e atraente, que usa como refúgio a chacina. As atuações e a complexidade dos protagonistas são, certamente, algo que eleva o nível do filme.

 “Bacurau” é um filme brasileiro diferente dos que costumam aparecer e não deixa a desejar em quase nenhum quesito. Talvez poderia ser explicada melhor a questão da pílula que os moradores do povoado tomam, mas nada que diminua seu tamanho. Possui crítica, feita de forma bem inteligente, explorando a vida sofrida do povo nordestino perante aqueles que não os aceitam. A história é coerente e agitada, quase “tarantinesca” (pessoas que não gostam de sangue terão problemas no cinema), tornando o filme agradável para o telespectador comum, que não precisa entender os elementos filosóficos transmitidos para se divertir. E a direção, ponto mais alto da obra, é impecável, sabe direcionar o olhar. É impecável. O cinema brasileiro deve alcançar grandes coisas com “Bacurau” esse ano, já que o longa-metragem está sendo muito bem avaliado nos festivais exteriores, inclusive em Cannes. Não surpreenderia uma indicação ao Oscar. Nem uma vitória no prêmio hollywoodiano. “Bacurau” é o melhor filme brasileiro desde “Tropa de Elite”. A audiência é mais que obrigatória.

Nota: 9,0

Trailer oficial

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