Por Maria Luiza Lufti

O setor financeiro tenta se reinventar a todo instante com aquisições, investimentos em tecnologia e a criação de novos serviços. Uma das apostas mais evidentes dos últimos tempos é a compra ou lançamento de veículos de comunicação, visados por serem o meio mais comum e eficaz para compartilhamento de informação na sociedade.

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O caso mais recente foi a venda do do Grupo Abril, responsável pela Veja e Exame, para o empresário e investidor Fábio Carvalho. A empresa da família Civita, que tem uma dívida de 1,6 bilhão, foi adquirida pelo valor simbólico de R$ 100 mil. De acordo com a UOL, o grupo BTG também entrou na disputa pela compra, pois visava criar uma plataforma de economia e finanças. O negócio foi concretizado no mês de abril.

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Fábio Carvalho é especialista na recuperação de empresas em crise. O executivo ergue a empresa adquirida para vendê-la posteriormente por um valor mais alto. A COO da Reno Investimentos, Gabriela Gazola, disse que compras como essa são surpreendentes, levando em consideração que as revistas e portais não possuem mais tanta representatividade na Bolsa.

“Sou focada em vendas de ações e sei que de anos para cá o preço da cotação de veículos de comunicação entraram em decadência. O que faz uma pessoa física ou jurídica investir no Grupo Abril, por exemplo, é o lucro. Ao meu ver, a atitude de Fabio Carvalho pode futuramente ser efetiva, caso a empresa faça acordos ou parcerias com instituições em alta na Bovespa [atual B3] ou até na mídia, como por exemplo Instagram, Youtube etc”, diz Gazola.

Outra empresa relevante para o tema é a XP investimentos, considerada líder no mercado de home broker (negociação de ações via internet), que adquiriu o portal “InfoMoney” em 2011. O portal divulga  informações do mercado com foco em pessoas físicas. No ano da compra, o veículo possuía mais de 30 milhões de page views. O objetivo da XP sempre foi triplicar os números de page views, disse Guilherme Benchimol, CEO da corretora, em entrevista para o portal Exame.

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Quando falamos da importância midiática do Brasil nos dias atuais, Antonio Rosa, pioneiro no assunto e cofundador da rádio “Band News”, diz que o país é o segundo maior do mundo no quesito mídia, perdendo apenas para os EUA, em relação à diversidade dos meios de comunicação e ao consumo dos meios pela população. O executivo também ressalta que as mudanças nos últimos 20 anos são impressionantes, pois a internet não apenas alterou todo o processo de produção e veiculação de notícias, permitindo pela primeira vez uma mídia global, sem restrição geográfica, como forneceu a possibilidade de interação.

“Os investimentos em comunicação se justificam pela capacidade de conquistar o mesmo pensamento e ideologia dos consumidores. Ou seja, sem a propaganda os consumidores não almejam marcas e/ou produtos. A relação dos investimentos em mídia corresponde ao PIB. Ou seja, se o PIB cresce, os investimentos também. Se o PIB se mantém, o mesmo ocorre com os investimentos em mídia. Por outro lado, se o PIB diminui, assim também ocorre com os investimentos”, diz o publicitário.

Quanto à distribuição dos investimentos nos meios de comunicação, Rosa nota uma queda acentuada na mídia impressa, frente ao avanço do digital. Jornais e revistas tiveram reduções constantes de receita publicitária e de circulação nos últimos 20 anos, tornando-se quase irrelevantes no cenário dos investimentos em mídia atual.

Mas existem outras empresas do setor financeiro que buscam se aproximar de portais de comunicação ou até mesmo fundá-los. É o caso do C6 Bank, fintech totalmente voltada para a inovação no mercado financeiro, que anunciou um portal próprio batizado de Seis Minutos. A proposta divulgada é fornecer conteúdo relevante e acessível sobre investimentos, crédito e consumo consciente, segundo Rodrigo Flores, head de conteúdo da fintech, em entrevista para o Meio&Mensagem

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Em contrapartida, um exemplo que seguiu um caminho oposto dos anteriores é o “UOL”, que se lançou no mercado como provedor de internet, posteriormente se transformou em um portal de notícias e hoje controla um dos maiores meios de pagamento do país, o Pagseguro, além de ter anunciado seu próprio banco digital.

“Pensando em se manter relevante, o PagSeguro entrou na Bolsa de Nova York no fim de 2017. E, por possuir uma grande quantidade de segmentos como lojas, fintechs e bancos tradicionais, se infiltrou no mercado de bancos sem taxa (modelo Nubank), anunciando este ano o PagBank (que já está em funcionamento)”, afirma Renan Rodrigues, gestor do UOL.

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