Por Victor Naia

Uma campanha publicitária do Banco do Brasil destinada ao público jovem, divulgando o serviço de abertura de conta corrente por aplicativo no celular, foi retirada do ar por recomendação do presidente da República.

Estrelado por atores negros e brancos, numa representação da diversidade racial e sexual do País, a peça começou a ser veiculada no dia 1.º de abril e saiu do ar há cerca de duas semanas. Tinha 30 segundos, e podia ser vista em comerciais veiculados na TV e na internet.

Nota-se que oficialmente, não foi apresentado um motivo para a retirada da propaganda. O presidente e eu concordamos que o filme deveria ser recolhido, de acordo com o presidente do Banco do Brasil.

Em um comunicado enviado na quarta-feira, 24/4, às empresas estatais orientando todas elas a submeterem previamente toda a sua publicidade à avaliação da Secretaria de Comunicação Social (SECOM), fosse a campanha institucional ou mercadológica.

No entanto, na noite de sexta-feira, 26, após a repercussão da divulgação da decisão, a Secretaria de Governo, à qual a SECOM está subordinada, voltou atrás e informou que, por questões legais, não vai intervir na comunicação mercadológica. O novo entendimento é o de que a prática fere a Lei das Estatais, de 2016, que veda a interferência na gestão das empresas públicas e das sociedades de economia mista.

Esta é a quarta vez que o governo Bolsonaro determina a retirada de peças de comunicação por discordar do seu conteúdo.

Observa-se que é uma intromissão do governo em assuntos que não lhe diz respeito. Se lembrarmos que o Banco do Brasil é uma empresa de economia mista, ou seja, não pertence exclusivamente ao Estado, tendo em seu Estatuto normas que além de manter sua independência, assegura o direito e a liberdade de escolher como e quais os instrumentos serão utilizados para desenvolver e divulgar seus produtos e serviços. Faria muito mais o presidente se deixasse as empresas trabalharem em paz sem a sua intromissão.
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Quinto texto: Crônica. 
                                                                           Uma Senhora Absolutamente Impactante

É domingo e saio com minha bike para meu passeio matinal, sem pressa, com calma e curioso. Me dirijo aos seus domínios, ciente de que será uma bela jornada, cheia de emoções.

Instintivamente estou em 1891 é sua inauguração. O que era antes uma poeirenta rua de passagem para boiada que estava à caminho do matadouro, se transforma em uma passagem de bondes e carruagens.

Tão avançada e moderna que em 1909 foi a primeira via da cidade a receber asfalto, deixando todos boquiabertos mostrando sua capacidade em lançar moda.

Daqui e dali surgem as primeiras casas, ou seriam casarões; dos negociantes, dos novos-ricos, dos recém-chegados da Europa e dos fazendeiros de cafés, de gostos um tanto ecléticos, mas com estilo. Temos o neoclássico, art-nouveau, mourisca e florentino, pode-se alegar falta de gosto ou de bom gosto; mas jamais que não sejam estilosas.

Voltando no tempo, vejo a diversão da moçada, corridas de automóvel, e também o corso de carnaval, aliás muito animadas.

Olho para o lado e um casarão prende o meu olhar; estou no cruzamento com a Rua Peixoto Gomide ao lado do Trianon temos nossa nobreza representada nela, com a Baronesa de Arary, seguindo mais a frente o nº 1230 onde hoje é o Shopping Cidade de São Paulo, onde era a antiga Mansão da icônica família Matarazzo, representantes da classe dos poderosos industriais.

Mas também é rebelde e conservadora quando lhe convém. Em 1920 seu nome foi mudado para avenida Carlos de Campos. Causou tanto rebuliço e protestos que rapidinho voltou ao nome original.

O engenheiro agrônomo Joaquim Eugênio de Lima, uruguaio formado na Alemanha, foi o responsável pelo planejamento da via, de tão bom que ficou foi homenageado por uma das vias que cruzam com ela.

Mas acima de tudo nos anos 30 já estava pronta. Era um símbolo de São Paulo e já firmava a tradição de rua ligada a manifestações.

Com a passagem do tempo, na década de 50 ela se reinventa com a primeira construção comercial iniciando a vocação de via residencial e comercial, surge o Conjunto Nacional como projeto inovador.

Mas algumas coisas me causam estranheza; porque a estação Paulista fica na Consolação? E porque a estação Consolação fica na Paulista? Alguém tem a resposta?

É uma senhora tão sedutora que quase ninguém resiste aos seus encantos e quando estamos felizes, vamos à Paulista, quando estamos tristes, vamos na Paulista, quando estamos indignados, vamos na Paulista protestar!

Aliás ela aceita e recebe bem a todos, independente de suas crenças, valores, status quo, o que vale é ser e ter curiosidade para descobrir os encantos.
Mas algumas coisas me causam estranheza; porque a estação Paulista fica na Consolação? E porque a estação Consolação fica na Paulista? Alguém tem a resposta?

É uma senhora tão sedutora que quase ninguém resiste aos seus encantos e quando estamos felizes, vamos à Paulista, quando estamos tristes, vamos na Paulista, quando estamos indignados, vamos na Paulista protestar!

Aliás ela aceita e recebe bem a todos, independente de suas crenças, valores, status quo, o que vale é ser e ter curiosidade para descobrir os encantos.

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