Por Francisco Segall

Terça-feira, 16h da tarde, dia comum em São Paulo, eu e meus três amigos fomos ao bar ver o segundo jogo da semifinal da Liga dos Campeões da Europa. Até aí nada de incomum, o jogo entre duas grandes equipes, Liverpool e Barcelona, havia motivado uma falta na segunda aula, apesar da classificação do Barcelona à final já estar bem encaminhada. Até mesmo aqueles que não gostavam de futebol se reuniram conosco para ver mais um show de bola de Lionel Messi, o gênio argentino.

Descendo as escadas do bar indo, motivado pela cega confiança no argentino e por uma cerveja já ingerida a seguinte aposta, que estava mais pra profecia, foi declarada “Se o Liverpool passar, eu pago em cerveja o número de gols que os ingleses fizerem” e ali o destino estava selado. A vitória do Barcelona no jogo de ida por 3×0 dava total certeza da vitória. Em menos de 10 segundos depois dessa declaração sai o primeiro gol dos vermelhos ingleses. Nem mesmo o sorriso maligno dos seus companheiros diminuí   a a confiança desse jovem narrador. Os primeiros 45 minutos da aposta se passaram sem maiores sustos, mas nada impediria a profecia de se cumprir. Nem mesmo a ousadia do ataque catalão. Quando a bola sobrou no pé do brasileiro Coutinho, livre na área,muito alta, longe do gol.

Após a calmaria, a tempestade e foi assim que se deu o segundo tempo em questão de minutos mais dois tentos ingleses e eu já começava a suar frio, mentia para mim mesmo, “calma, ainda não acabou”, mas já estava acabado faz tempo. Nem mesmo um ataque perfeito para que o melhor jogador do Mundo apenas empurrasse a bola às redes, o momento da redenção, a salvação do narrador arrogante. Mas um toque salvador do zagueiro, ou seria um toque do destino, joga a bola longe das redes. O sorriso no rosto dos meus amigos dizia tudo, aqueles que nem gostavam de futebol se portavam como verdadeiros torcedores das bancadas. E passado uns 10 minutos saiu a fatídica quarta cerveja, ou melhor, o quarto gol inglês para meu desespero e felicidade da população. Os momentos finais do jogo serviram apenas para adicionar sal na ferida e nem mesmo a esperança balançante dos minutos anteriores sobrava.

Poderíamos dizer que o aprendizado dessa história é o “nunca desista”, mas está muito mais para um “a soberba quebrou o Chico”. O que nos resta é rir dessa história e aproveitar as cervejas que eu ainda tenho que pagar.

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