Por Gustavo Zarza

No dia 1 de fevereiro de 2019 a Sociedade Esportiva Palmeiras lançou uma nota justificando o aumento do preço dos ingressos. Dias antes aconteceram muitos protestos por parte da torcida palmeirense. Na nota o Palmeiras deixa claro que vem contribuindo com o sócio torcedor e com o público mais humilde, o que para parte da torcida não vem acontecendo.

O Sport Club Corinthians Paulista aumentou expressivamente o preço dos ingressos em alguns setores da arena, no dia 15 de maio de 2019, jogo válido pela Copa do Brasil, o qual foi derrotado por 1×0 pelo Flamengo. O Corinthians assumiu a “culpa” pelo aumento dos ingressos, se justificando pelas dívidas que o clube possui.

Na maioria dos estádios pelo Brasil se nota um aumento nos valores dos ingressos. Os clubes normalmente se justificam por dívidas, crise econômica, a importância do jogo etc.

Quem é saudosista ao futebol vive um tormento com o esporte. Não somente pelo fim das brincadeiras e o politicamente correto, que muitas vezes é necessário para o fim do preconceito no meio futebolístico. Mas sim, por uma elitização do futebol.

Conhecido por ser um dos esportes mais democráticos do mundo, por aceitar pessoas de diferentes etnias, classes, origens, era jogado por operários e patrões no seu início. Após um longo dia de trabalho nas indústrias de Liverpool e Manchester, os trabalhadores se reuniam para jogar bola, assim trocando experiências, se relacionando enquanto sociedade. Não só nos campos, como também nas arquibancadas, onde se via gente de todos os tipos.

O sucesso do futebol brasileiro se deve muito a essa troca entre sociedade. A seleção que foi tricampeã do mundo misturava o gingado com a técnica, assim tornando o seu estilo quase um patrimônio. Isso tudo se deve a troca entre as classes, etnias e culturas.

Hoje o futebol europeu é inspirado no futebol brasileiro, pode-se até dizer que o nosso futebol está sendo jogado por eles. Muitos técnicos do alto escalão europeu dizem que seu estilo de jogo é inspirado principalmente nas seleções de 70 e 82.

Já se foi o tempo em que iam multidões aos estádios, onde iam 200mil ao Maracanã para ver Pelé ou Mané Garrincha, em que havia pessoas de todas as classes, de todos os lugares, se unindo para assistir futebol, para torcer pelo time do coração e apreciar o esporte. Mesmo até depois com ajustes, a fim de não haver o super-lotamento, é difícil ver o Maracanã lotado com 80mil pessoas.

O futebol foi transformado como mercado, o que se tratando da nossa sociedade atual é algo comum. As grandes empresas estão cada vez mais interessadas nesse meio, assim também como os grandes grupos de empresários de jogadores, tornando o futebol realmente como negócio.

Portanto, todos esses fatores afetam diretamente o esporte. O aumento do preço dos ingressos afasta o torcedor humilde do estádio. Aquele que vai ao estádio não consegue mais trocar relações com as diferentes classes. Desse modo ocorrendo uma segregação social em um esporte que a inclusão sempre foi benéfica.

O futebol é de extrema importância para o brasileiro, ele praticamente vive disso, o respira todos os dias, troca informações e se diverte. Porém, essa essência vem se perdendo, devido aos seus processos ele está separando o brasileiro, se tornando cada vez menos um esporte democrático.

Leave a Reply