Por Guilherme Dias

Com a eleição de Jair Bolsonaro intensifica cada vez mais perseguições a professores e a educação nacional. No dia 30 de abril, Abraham Weintraub, ministro da educação formalizou corte de 30% do orçamento para  de custeio e investimento para instituições federais. O desenvolvimento da educação se tornou moeda de troca; como dito pelo ministro a liberação do recurso poderá ser feita caso a reforma da previdência seja aprovada. Segundo seus anseios, com a aprovação da reforma haverá o desenvolvimento econômico necessário que possibilitaria voltar atrás da decisão.

Além dos cortes, as universidades são perseguidas e desmoralizadas pela atual gestão. “Balbúrdia”, assim classificou o mesmo ministro sobre a autonomia da universidades. “Imbecis úteis” adjetivos utilizados por Bolsonaro em uma entrevista nos Estados Unidos após atos contra os cortes e a reforma da previdência.

O governo utiliza dessas futilidades para impregnar em seus seguidores uma realidade fantasiosa, algo impensável até mesmo para as irmãs Wachowski. O cerco imposto a educação disfarça-se de solução para dia melhores. Dias melhores no que se diz respeito ao desenvolvimento econômico.

A educação sempre foi e continua sendo um problema para as elites que governam e comandam esse país. O espírito neoliberal condiciona o Brasil ao fracasso. Ora pois, pensamento crítico não constrói um bom operário. A mordaça imposta pela falta da educação mantém a funcionalidade capitalista.

Em meio ao presente distópico o professor se vê mais do que nunca desprotegido. Nunca foi fácil exercer a profissão no Brasil. Os poucos recursos pedagógicos, as longas cargas horárias, salários baixos e como se não fosse o bastante frequentemente alunos recorrem agressões físicas e verbais.

Essa rotina desgastante se intensifica com um novo elemento. Com o intuito de engendrar o que chama “escola sem partido” o ex deputado deu aval aos alunos para que gravem professores “doutrinando” em sala de aula. A patrulha da extrema direita enfim chega às salas de aula.

Uma pesquisa feita pela Associação Nova Escola com 5.000 professores entre junho e julho de 2018 demonstrou que 66% precisaram se afastar do trabalho por questões de saúde. Outros dados mostram que 68% sofrem de ansiedade, 63% disseram estressados e com dores constantes de cabeça, 39% sofrem de insônia e 28% apresentam quadro de depressão. Questionado sobre por qual motivo eles acreditavam apresentar tal quadro, 87% culparam o trabalho. Outro dado que crava o escambo da educação, a Varley Foundation, entidade focada nas condições de melhoria do ensino infantil, classificou o Brasil como o pior índice de respeito ao professor entre 35 países. Em cada país foram entrevistados 5.000 pessoas de 16 a 64 anos e mais de 5,5 docentes.

Como se sabe existem duas realidades no Brasil. O desnível entre escolas particulares e públicas. Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, a nota das escolas particulares ficou em 7.1 em 2017 no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), mas não atingiu a meta para o período, enquanto as públicas ficaram com 5.5 na média. As melhores condições das escolas particulares favorecem uma classe mínima, assim cercando quem não consegue pagar seu ensino.

Segundo o IBGE apenas 36% dos alunos formados em escolas públicas adentraram as universidades. Enquanto aluno das escolas particulares representam 79,2%.

A desigualdade perdura quando se trata de raça, 51,5 do mesmo número é representado por brancos, enquanto negros e pardos representam apenas 33,4.

Os números só mostram uma realidade muito nítida ao olhos de qualquer cidadão lúcido. Lucidez essa distante do imaginário de alguns brasileiros. No ato no último domingo pró ao atual governo, manifestantes arrancaram uma faixa de apoio à educação com muitos aplausos. A faixa estava erguida em frente a UFPR (Universidade Federal do Paraná).

Todas os pontos abordados acima se somam com a péssima remuneração do educador brasileiro. Em setembro de 2018 a OCDE (Cooperação e Desenvolvimento Econômica), após um levantamento com 40 países, o Brasil amargou a última colocação do ranking. De acordo com o relatório, o Brasil paga salário mínimo de US$ 13.971 por ano para seus professores.

O montante de fatores vão precarizando a educação. As condições em relação a materiais didáticos, desgaste físico e psíquico, baixa remuneração e atual a imagem de inimigo da nação distância futuros jovens a seguirem a profissão de educador.

Mesmo com tudo culminando para um fim trágico há espaço para esperança e melhoria. O governador do Maranhão Flávio Dino (PCdoB) assinou medida onde o salário mínimo para professores no Estado passou a ser de R$ 5.750,00 com jornada semana de 40 horas. Em comparação com o estado de São Paulo o reajuste feito por Geraldo Alckmin de 7% elevou o salário a apenas R$2.415,89.

Respectivamente no Piauí uma pequena escola demonstrou que é possível o desenvolvimento de um bom ensino público. A escola fica em Oeiras, sertão piauiense. Ao atingir nota 7,1 no Ideb, índice maior do que o esperado para o país em 2021. A qualidade do ensino público já fez três escolas particulares fecharem por falta de alunos.

A precariedade da educação é uma arma importante para manutenção da extrema direita no Brasil. Professores, principalmente das matérias de humanas são colocados como inimigos da nação por saberem do seu poder. Um paradigma hoje se constrói, os tradicionais, que assim se dizem, enchem a boca para exigir valores a muito perdidos, valores esses onde o respeito e admiração ao professor estava incluso. A ilusão está no olho de quem a vê. Muitos amedrontados por uma incabível revolução socialista esquecem de pôr pés no chão e olhar ao redor e perceber o quão errados estão.

A história do Brasil passou a ter 16 anos. E para que isso se mantenha o professor de história, filosofia, geografia e sociologia tem que ser amordaçado.

É necessário reavivar a empatia e admiração para com o professor e ressuscitar seu papel. Somente sua figura livrará o futuro desta nação de um fracasso.

É necessário ressaltar que sua figura está muito além de um reles herói. O professor cria caminhos que transcendem a dicotomia do bem e do mal, herói e vilão. Através dele que entendemos a complexidade da sociedade e do universo.

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