Por Gabriella Lopes

A indústria de entretenimento está agitada desde 2017. Foi quando a Disney anunciou a compra da Fox para o mundo, o  processo que começou há dois anos só foi finalizado este ano. O pagamento foi feito por meio de ações da empresa Mickey, incluindo a dívida de 13,7 bilhões de dólares da Fox. A Disney é uma companhia originalmente estadunidense, gigantesca e significativa em diversos setores do mercado mundial.

A compra da Fox resultou em diversos boatos, teorias e discursos voltados para descobrir o porquê a Disney comprou a 21th Century – ou melhor,  por que a Disney vêm comprando tudo. Os otimistas dizem que ela tem a pura intenção de aumentar seu leque de personagens para alcançar seu objetivo de ouro: se tornar a verdadeira “fábrica de sonhos”. Imagem que a Disney constantemente passa em nossas infâncias.

Ter a posse de muitas personalidades em seu arquivo, principalmente no ramo de entretenimento, significa abranger ainda mais públicos. Variar sua audiência desde crianças até idosos, significa espalhar a magia para ainda mais pessoas. Claro que não. Só quer dizer mais filmes em cartazes e programas televisivos ao ar. Pensar na Disney como aquele mundo encantado que crescemos vendo nas televisões é de muita inocência. Até porque ela é uma indústria igual a qualquer outra.

As raízes da Disney:

Fundada em 1923 com o nome Disney Brothers Cartoon Studios, seu primeiro programa foi Comédias de Alice. Quando o desenho terminou, a empresa entrou em dificuldades financeiras. Em 1926 eles mudaram o nome para The Walt Disney Studio e dois anos depois criaram o Mickey Mouse, um camundongo que se tornou seu mascote e principal símbolo até hoje.

Em 1929 a companhia entrou em ascensão. Os dois irmãos, juntos de outras três empresas parceiras, dão lugar a Disney Productions Ltda. Mas em 1930 já se tornaram Walt Disney Productions. Sete anos depois lançaram o primeiro filme da famosa coletânea de princesas Disney: Branca de Neve e os Sete Anões. Ao longo da década de 40 lançaram sucessos como Dumbo, Pinóquio e Fantasia.

Na mesma década, a empresa se tornou pública e culminou em várias propagandas para os Estados Unidos durante a segunda guerra mundial. Dez anos depois de Branca de Neve ter estreado, eles lançam-no novamente. Assim perceberam que reboots são uma grande forma de gerar lucro. Estratégia que segue sendo usada até hoje. Entretanto, em 1966, Walt Disney faleceu com câncer de pulmão. E sem uma liderança, a Disney começa a declinar novamente. Na tentativa de reerguer por meio do controle majoritário, acionistas compram a maior parte de suas ações, tornando a empresa privada de novo.

Em 1955 começaram a expandir seu império para outros mercados com a inauguração da Disneylândia, na Califórnia. Sete anos depois construíram o Walt Disney World Resort, na Flórida. Já em 1980 entram para o comércio de vídeo cassete, começando a vender os primeiros exemplares. Três anos mais tarde nasceu a Disney Chanel, canal infantil dentre os mais assistidos da atualidade.

Em 1886 foi escolhido o nome definitivo de The Walt Disney Company. Seis anos depois o filme A Bela e a Fera, clássico da Disney, é o primeiro longo metragem em desenho indicado ao Oscar. No ano seguinte a companhia recheia ainda mais seu mercado ao entrar no ramo esportivo. Com o lançamento do filme de três franquias, The Mighty Ducks, criaram o time de hóquei Mighty Ducks. Mais tarde viria o beisebol, na compra da equipe California Angels que mudam o nome para Anaheim Angels. Ambos os times foram vendidos entre 2003 e 2005.

O tamanho de seu reinado:

Apenas neste resumo de sua história, a Disney desde sua criação entrou para o ramo de séries, desenhos, animações, filmes, hotelaria, parques de diversão, resorts, esportes, canais televisivos e mercado de ações. A partir de 2000, ela também passou a contar com 72 emissoras de rádio, entre elas a rádio Disney, popular entre os jovens. Ela também está no mar, com seus cruzeiros mágicos contando com atividades variadas, tanto a bordo quanto em ilhas. Os navios saem de várias partes do mundo.

Além disso, fazem parte do mercado de brinquedos, vendendo bonecas e diversos outros produtos infantis no mundo inteiro. Porém, em 2018 o jornal o Globo publica uma matéria mostrando que o Mickey Mouse não é tão fantástico assim. Uma investigação do grupo de defesa de direitos Solidar Suisse e do China Labor Watch em parceria com o jornal “The Guardian” descobrem que os operários chineses das fábricas de brinquedos da Disney recebem pouco mais de um centavo de dólar por brinquedo. Eles, inclusive, não possuem direito a férias e nem licença médica, pois ausentar-se mais de três dias resulta em demissão.

O youtube igualmente não escapou das garras do Mickey. Em 2015 a Disney Consumer Products e a Disney Interactive juntaram suas forças e passaram a controlar todo o merchandising da empresa. Com isso, eles correram para a plataforma que estava abrigando milhares de jovens, o Youtube. Começaram a patrocinar youtubers famosos como o PewDiePie e canais como o Epic Rap Battles, investindo nos seus likes e visualizações para que colaborassem com seu marketing.

A indústria Mickey já é considerada um império em Hollyood. Agora com a compra da Fox, vai ser dona de figuras importantíssimas e lucrativas do cinema. Entre elas Avatar, recorde de bilheteria desde 2009. X-man, personagens da Marvel que retornam para seu lar, uma vez que a editora de quadrinhos também pertence a Disney.  E até Simpsons, desenho entre os mais assistidos e amados pela população.

Como o Mickey manipula o mercado:

O fundamento do capitalismo está na concorrência de vendas. Haver muitos produtores do mesmo material faz com que o preço tenha valor razoável de venda, isso é o que economicamente se chama de concorrência perfeita. É claro que na prática não ocorre dessa forma. Apesar de haver muitas leis com o objetivo de regulamentar o mercado e evitar o monopólio, os grandes empresários fazem de tudo para driblar elas.

O capitalismo em seu auge adquiriu muitas características como a concorrência imperfeita. A monopolização do mercado é quando uma empresa ou um grupo pequeno de empresas – nomeado como oligopólio – detém a maior parte da produção de um produto ou de um conjunto do mesmo. Quando isso acontece, essa indústria possui o poder de determinar o preço deste produto.

Como indústrias queriam fugir do fundamento básico do capitalismo, criaram-se três estratégias que se mostraram bastante efetivas. São elas: trustes e holdings. O primeiro consiste em uma empresa comprando outra ou na junção de duas de mesma área econômica. Também pode ser de uma área diferente, mas com o interesse de expandir-se no mercado, como a Disney comprando times e canais esportivos. Trustes, nesse caso, é aonde a Disney mais se encaixa.

Holding também pode ser considerado dentro dos parâmetros econômicos da Disney. É quando um grupo de empresas, inclusive concorrentes, é comandado por uma organização central. Como a Disney que possui a maior parte das ações de diversas empresas, tipo a Hulu, ESPN, Sky TV e alguns outros. E aí que está o porquê da Disney querer comprar “o mundo”. Seu poder de monopólio a permite controlar até as salas de cinema em que seus filmes irão passar. E é claro que com todo esse poder, é vantajoso para ela ter cada vez mais filmes para colocar em cartaz. Em 2017, o site IGN comentou que em uma matéria do o Wall Street Journal publicada no Gamespot, a Disney exigiu 65% dos lucros de bilheteria do filme Star Wars VIII: Os últimos Jedis. Suas exigências incluíam que o filme passasse nas maiores salas e por no mínimo quatro semanas – regras também exigidas em O despertar da Força e Rogue One. Aquele que não cumprisse essas regras seria punido com menos 5% dos lucros, dando o total de 70% para a Disney.

As aquisições da Disney:

Atualmente não existe nenhuma outra empresa de entretenimento que consiga competir com o lazer oferecido pelo Mickey. A famosa viagem para “Disney” sempre foi a mais almejada entres as crianças e inclusive, os adultos. Isso fez com que o passeio virasse programa de elite.

Somente os preços da diária em um hotel da Disney variam entre 500 a 800 dólares. Sem contar o preço da entrada de seus parques, resorts e cruzeiros. Seus canais são fechados para TV a cabo e normalmente não estão incluídos nos pacotes mais simples, como a Disney Chanel e ESPN. Seus brinquedos no Brasil chegam a 200 reais e até mais. Esses preços exorbitantes e fora da realidade de muitas pessoas acontecem por seu controle tão grande no mercado. O Brande Finance Global 500, um estudo que aponta as 500 marcas mais importantes, divulgou esse ano que a Disney está em 25º na lista, com valor estimado de 45,750 bilhões de dólares e ainda em ascensão. O tão aconchegante sonho de princesas e heróis se tornou uma máquina produtora de dinheiro e que a alimentamos fielmente todos os dias. Talvez seja porque necessitamos manter vivo em nós esse sentimentos da infância de que a Disney é um conto de fadas.

Corrida de streaming

Streaming é a capacidade de você ouvir uma música ou assistir a um vídeo em uma plataforma online, sem precisar baixar o conteúdo e assisti-lo mais tarde em seu computador ou celular. Com a melhoria da tecnologia e internet muitos empresários apostaram no serviço de streaming como o Spotify e a Netflix. É possível encontrar o conteúdo da Disney principalmente na Netflix, Telecine Play e Hulu.

Entretanto, a Disney com sua fome de “quero mais” não poderia ficar para trás nessa corrida do mercado de streaming.  Na sua formosa agilidade, já foi anunciado o lançamento da Disney+, a nova plataforma de serviço streaming da empresa. Nem lançada ainda, sua fama é conhecida como a concorrente  da Netflix, uma das companhias que mais tem crescido nos últimos anos. Tendo indo muito além de apenas oferecer conteúdo online, a Netflix começou a financiar a produção de filmes, desenhos e séries e até conquistou um Oscar em 2019.

Agora, muitos fãs sofrem com o risco da retirada do conteúdo da Disney de outras plataformas com o lançamento da Disney+. Mesmo que em 2017 a Netflix tenha tranquilizado seus assinantes sobre esse medo, o império das princesas se mantém inconstante sobre o assunto. Se isso realmente acontecer, forçará (propositalmente) as pessoas a assinarem sua nova “cortesia”. Uma estratégia malandra, mas que deve receber seu devido crédito pela astúcia. Apesar disso, a plataforma do Mickey já gerou grandes expectativas para seu amantes e já contam com muitas assinaturas e expectativas nos próximos anos.

O valor da Disney+ será de U$ 6,99 (27 reais) por mês ou U$ 69.99 por ano (270 reais). Será lançado em Novembro de 2019 para a América do Norte. Porém, acredita-se que para a América Latina estará disponível somente em 2021, mas sem data prevista.

Agora nos resta somente esperar para ver quais serão os próximos passos da indústria Mickey e até onde seu reinado irá chegar. Fica para os próximos blocos descobrir se a vontade de se tornar rei no final das contas os tornará ricos para sempre ou falidos para sempre.

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