Fonte: Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Por Gabriela Gaspar

A indústria teve queda nos últimos anos e está desde 2015 buscando uma recuperação. Em 2018, a indústria de transformação registrou a participação mais baixa no produto interno bruto (PIB) em mais de 70 anos e, em 2019, deve continuar com desempenho ruim.

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a produção industrial teve redução de 2,2% nos três primeiros meses de 2019 em relação ao mesmo período do ano passado. De fevereiro para março, a atividade industrial diminuiu 1,3%, com as principais influências negativas registradas por produtos alimentícios e automobilísticos.

Outro dado significativo é o da utilização da capacidade instalada, que, de acordo com a CNI (Confederação Nacional da Indústria), em março de 2019 foi de 76,5%, o que representa o menor percentual desde maio de 2018, livre de efeitos sazonais. Já a média do primeiro trimestre deste ano, comparada com a mesma época do ano anterior, é menor em 0,9 ponto percentual.

O impacto das crises dos últimos anos, principalmente entre 2014 e 2016, ainda perdura na indústria, que, durante este período, apresentou seu maior recuo em 2015, de 6,2%. Diante disso, a participação da indústria de transformação no PIB terminou o ano passado em 11,3%, a menor desde 1947.

De acordo com o economista Pedro Holloway, boa parte das indústrias brasileiras é voltada para o mercado interno e, portanto, só terá uma recuperação expressiva com a retomada da ponta final da cadeia. “Acredito que o setor industrial só vai se recuperar quando tivermos uma retomada mais forte do consumo”, pontua.

Ainda de acordo com Holloway, para que haja uma recuperação do consumo, é necessário que o desemprego diminua, gerando confiança nos consumidores e possibilitando a redução da inadimplência. Por outro lado, diz, a indústria também  precisa aumentar seus estoques proporcionalmente ao aumento de pedidos, para que haja uma diminuição na ociosidade das fábricas.

Referindo-se às perspectivas para a indústria neste ano, o economista diz que a expectativa do mercado é de um crescimento na faixa de 1,5% e leva em conta uma base de comparação muito baixa. A CNI prevê uma alta de 1,1%, quase um terço a menos do que estimava no início do ano.

Leave a Reply