Novos aplicativos facilitam serviços úteis para o dia a dia

Plataformas geram oportunidades, mas são criticadas por relações trabalhistas

Por Letícia Nunes

Sem espaço físico, funcionários fixos e custos com manutenção de alguns equipamentos, os serviços oferecidos por aplicativos têm se voltado para as mais diversas necessidades e, com isso, vêm aumentando o número de usuários.  Os consumidores podem otimizar seu tempo com a possibilidade de fazer quase tudo sem sair de casa.

Aplicativos como Uber, 99 e Cabify dominaram o ramo da mobilidade urbana ao oferecer um atendimento ágil em qualquer lugar e a qualquer hora do dia por um preço considerado justo. Em uma realidade em que as pessoas passaram a ter menos tempo e mais tarefas, qualquer minuto economizado faz diferença.

Visando o sucesso deste novo ramo do mercado que permite a facilitação de serviços úteis, aplicativos como Singu e Rappi passaram a oferecer outros tipos de atendimento a domicílio, como manicure e pedicure, massagens, cabeleireiro e maquiagem, personal training, saques de dinheiro, entrega de medicamentos e compras do mercado, além de serviços de manutenção, como faxina, eletricista, encanador, entre outros.

Como uma forma de fugir da crise, Rafael Battesini, formado em relações públicas pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), conta que, em 2016, criou uma empresa para vender seus produtos exclusivamente por aplicativo de celular. Hoje, migrar para um negócio físico está longe dos seus planos. “Tenho uma soparia que funciona por vendas pelo iFood e já estamos em processo para entrar na Rappi também. Hoje o comércio precisa ser estruturado para a tecnologia, funcionando de forma dinâmica. Não fazemos nenhum tipo de propaganda, para nós o que vale é a nota dos clientes”, afirma.

Um levantamento realizado em 2017 pela Apple Annie, empresa norte-americana de dados do mercado de aplicativos, mostrou que a quantidade de plataformas onlines baixadas em 2017 superou 175 bilhões e o Brasil ocupou o quarto lugar na lista dos cinco mercados que mais consomem aplicativos, atrás apenas da China, Índia e Estados Unidos.

Além disto, a pesquisa indicou a tendência de aumento do consumo dos brasileiros, visto que em 2015 a população do país passava cerca de 150 minutos por dia em aplicativos, e em 2017 o tempo já tinha crescido para 180 minutos diários.

O economista graduado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) Guilherme Fonseca, aponta que o desenvolvimento acelerado do ramo de aplicativos é fruto de uma série de benefícios que influenciam na escolha do cliente. “Ao optar pelo uso do carro, por exemplo, é preciso colocar na conta das despesas o valor do gasto com a gasolina, com o IPVA, impostos, manutenções ao longo do mês, estacionamento, além de eventuais prestações do carro e a desvalorização anual do veículo. Com a chegada dos aplicativos como Uber, o gasto passa a ser medido a partir da quilometragem e minutos percorridos, ou seja, o indivíduo nota uma grande diferença no valor economizado ao optar pelo uso da plataforma online.”

Fonseca afirma que o mercado de aplicativos ainda promete grande crescimento no Brasil, considerando as tendências de consumo da sociedade atual. “Quando se fala em tecnologia, o aprendizado é eterno. Neste segmento é preciso ter uma visão das necessidades dos usuários e da forma como a plataforma é atraente na hora da escolha entre diversas outras opções. Os nomes de grande sucesso foram capazes de unir tudo isso em um só aplicativo, rapidez, facilidade de uso e interação. O usuário passou a sentir-se próximo deste tipo de serviço”, completa.

Para a estudante de economia Geovana Koga, de 21 anos, a utilização de aplicativos facilita a rotina de trabalho e estudo. “Eu praticamente não tenho tempo para outros tipos de compromissos que estejam fora do meu costume, por isso acabo precisando muito desses tipos de aplicativos, que me atendem na correria e em qualquer lugar. Por exemplo, de vez em quando peço delivery do meu almoço no estágio e agendo de fazer as unhas em casa após o horário comercial em que os salões ficam abertos”, afirma.

Em contrapartida, além de poder prejudicar a economia dos negócios físicos, essa facilidade nos serviços acaba se valendo de uma mão de obra pouco qualificada, submetida a condições precárias de trabalho, que incluem longas jornadas, baixa remuneração e falta de carteira assinada.

Fonte: Diário do Comércio/Divulgação

As empresas que fornecem estes serviços se apresentam como intermediadoras entre os consumidores e fornecedores, ou seja, defendem a ideia de que os trabalhadores são autônomos e apenas seguem as regras dos aplicativos quanto a preços e penalidades em troca da garantia de um público fiel.

Se por um lado os consumidores obtêm diversos serviços a um preço mais acessível, eles também estão sujeitos a possíveis falhas técnicas com as plataformas ou a mão de obra pouco especializada. Visando garantir cada vez mais espaço no mercado, as perspectivas de inovação tecnológica dos aplicativos estão em constante renovação à medida que surgem desafios e oportunidades com a robotização e a inteligência artificial.

Leave a Reply