Tecnoescravo; quanto mais “conectados” estamos, mais “desligados” nos tornamos

Por Eric Slate
Fonte: adbusters, 21 de abril de 2011
Site: http://www.adbusters.org/magazine/77/Technoslave.html
Tradução: Agência Imediata especial para AGEMT

Certa vez, enquanto estava num ônibus lotado, um homem, sentado ao meu lado, atirou seu celular pela janela. Quando o telefone dele tocou, em vez de responder como deveria, jogou casualmente o aparelho fora. Eu não tinha ideia se o celular era mesmo dele, se ele tinha roubado o telefone ou se ele sabia mesmo o que era um telefone celular. Mas com um gesto aparentemente descuidado, ele conseguiu libertar-se de algo que tem me consumido completamente.

Quando o meu celular toca, é uma vibração incessante e irritante que exige minha atenção imediata. Posso rogar uma praga contra a chamada, mas sou incapaz de recusá-la. Tanto faz se estou no meio de uma conversa, no chuveiro ou em sono profundo, o toque causa tamanho pânico e excitação que me sinto forçado a responder.

“A pressão para responder à pulsação ou ao toque repentinos faz os tecnoescravos pularem para pegar a mensagem, saírem em atropelo para conseguir um sinal mais claro e/ou lidar com a urgência do momento, como se ele estivesse beirando, em algum lugar, a margem entre a vida e a morte”, escreve Gerald Celente, editor do The Trends Journal (Jornal das Tendências).” … Tudo isso para que? Para dizer alô, queixar-se, lamentar-se ou fazer negócios pelo telefone?”

A tecnologia deveria libertar-nos das amarras do trabalho e dar-nos mais tempo livre. Mas ela tem provado ser o extremo oposto. Uma pesquisa de 2005 da empresa Leger Marketing para o jornal de tecnologia Computing Canada descobriu que a maioria das pessoas acham que a tecnologia representa mais trabalho e menos tempo com a família. Tanto faz que se trate de celulares, Blackberrys, videogames ou e-mail, viramos uma cultura escravizada pelos eletrônicos.

Enquanto as pessoas sucumbem cada vez mais às suas engenhocas pessoais, cientistas e psicólogos estão começando a classificar a dependência relativa à tecnologia como um problema sério, colocando-o na mesma categoria do alcoolismo, dos jogos de azar e da toxicodependência. O estresse que ela cria está provocando artrite, enxaqueca e úlceras. Essas dependências físicas estão causando aumento de peso, problemas de coluna e problemas de pele. Mas o que é ainda mais preocupante, ela está tendo um impacto poderoso em nosso desenvolvimento pessoal. Parece que quanto mais ‘conectados’ estamos, mais ‘desligados’ nos tornamos.

“Os humanos estão caindo na armadilha de um ciclo high-tech que está congelando suas mentes e afastando-as do viver o momento presente, de olhar para a vida e absorver o que está em volta deles”, escreve Celente. “Embora a tecnologia tenha alterado radicalmente as exterioridades da vida, ela não tem feito nada demonstrável para aprimorar as interioridades: emocional, filosófica e valores espirituais”.
Enquanto olho fixo e sem expressão para a tela do computador por horas a fio, às vezes me pergunto se há uma mensagem secreta escondida por trás desse labirinto tecnológico. Mas, quanto mais encaro, mais chego à mesma conclusão: estou preso numa cilada.

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