Por Beatriz Lourenço, Carolina Bertoldo, Isabella López, Sofia Missiato e Yara Guerra. 

Com meio século de existência, o metrô de São Paulo é um híbrido que proporciona aos seus usuários as mais diversas experiências, facilitando o acesso a locais de forma rápida e eficiente, criando espaços culturais durante o trajeto, ou até mesmo sendo palco de casos de assédio e violência. São 5 linhas, 83 estações, um monotrilho e mais de 4,5 milhões de passageiros, parte indiscutível da rotina dos moradores da maior metrópole do Brasil há 50 anos.

De acordo com dados do Ibope e a rede Nossa São Paulo, quem usa o transporte público da cidade passa, em média, 2 horas e 43 minutos de seus dias em deslocamento. Um exemplo é Marília Santos, que leva uma hora e meia para chegar ao trabalho todas as manhãs, somando no mínimo 3 horas diárias. Com o metrô esse trajeto é facilitado, a estudante Maria Aparecida, por exemplo, precisava de quatro ônibus para chegar até a faculdade antes da linha amarela.

Relativamente jovem, o sistema metroviário paulista é frequentemente comparado com outros ao redor do mundo. Demais mecanismos, como o londrino ou nova-iorquino, chegaram mais cedo: em 1863 e 1904, respectivamente.

A idade, todavia, não é a única coisa que os difere de São Paulo. Em um artigo publicado no início de 2013, o jornalista da BBC Rogerio Wassermann afirmou que precisaríamos de 172 anos para chegar à expansão anual do metrô de Londres. Com 74,3 km de extensão e crescimento com uma média de apenas 1,91 km por ano, só é maior em extensão que o metrô de Buenos Aires, com 60 quilômetros – mas a capital argentina tem uma população quatro vezes menor do que a paulista.

Mapa do Transporte Metropolitano Sobre Trilhos (Fonte: Site oficial do metrô de São Paulo)

Apesar de pequeno o metrô de São Paulo é um dos mais movimentados do mundo, tem quase o mesmo volume de passageiros transportados diariamente em Nova York, mas a metrópole Estadunidense conta com 472 estações – frente às 79 do sistema paulista.

As críticas, entretanto, não são todas negativas. De acordo com o engenheiro eletricista Peter Ludwig Alouche, é preciso também considerar outros aspectos, como a “importância do metrô na região atendida, a qualidade do serviço oferecida, a confiabilidade, a disponibilidade, a segurança, a manutenção do sistema, o conforto e a limpeza do transporte. Nisto, o metrô de São Paulo é insuperável.”

O preço da passagem já foi alvo de grandes protestos, e mesmo assim sofreu um aumento de 43% nos últimos 4 anos, atualmente custa R$4,30. Entretanto, quando comparada com outros países, a tarifa paulistana está entre as mais baratas do mundo, ficando atrás apenas da Cidade do México, Buenos Aires e Santiago.

CULTURA

Para além de um meio de transporte, o metrô também é reconhecido por tudo o que traz aos usuários em suas viagens diárias. Além de contar com projetos na área de educação e cultura, um grande acervo fotográfico e espalhar arte em todas as suas estações, o sistema paulista também possui apresentação musical com a Banda dos Seguranças de Metrô.

Foto Institucional

 

A arte de rua (ou Street Art) também é parte da experiência cultural vivida todos os dias pelas milhares de pessoas que usam o metrô. Seja nas entradas das estações ou dentro dos vagões, é fácil encontrar músicos, dançarinos ou poetas dos mais diversos gêneros e estilos apresentando sua arte. Em cidades como Madri, Barcelona, Londres e até no Rio de Janeiro a arte em transportes públicos é regulamentada, mas em São Paulo o ‘’passa-chapéu’’, como é definida a prática de arrecadação de dinheiro em troca da arte, é proibida segundo a lei municipal nº 15937/2013.

Mesmo assim os artistas encontram um jeito de escapar das fiscalizações para continuar apresentando, o que possibilita casos como o ocorrido em outubro do ano passado – quando um vídeo onde um trio musical foi algemado de forma truculenta por um segurança, viralizou. Em nota, a administração do metrô informou que a apresentação de músicos dentro dos trens é vedada “para não interferir na operação do sistema metroviário, bem como na circulação, comodidade e segurança dos passageiros”.

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ASSÉDIO

Apesar de oferecer diversos serviços ao público, existe uma grande questão que é constantemente motivo de críticas e debates quando se trata do metrô: o assédio às mulheres. Infelizmente, o controle a esse tipo de violência dentro do transporte público ainda é mínimo – diariamente, mulheres de todas as idades são assediadas de alguma forma, seja verbal ou fisicamente.

Em alguns locais do metrô, é possível encontrar anúncios de apoio às mulheres, com números de denúncia e algumas instruções. Em casos de importunação sexual, o indicado é enviar uma mensagem de texto ou aviso pelo aplicativo do metrô. Os funcionários são, assim, informados na hora e podem prestar auxílio. As queixas também podem ser realizadas pessoalmente na delegacia de polícia metropolitana, localizada na estação Palmeiras-Barra Funda. Porém, mesmo que haja canais de denúncias e proteção à mulher, os casos de violência de gênero continuam ocorrendo.

Mesmo após a criação da lei sobre importunação sexual, em setembro de 2018, os casos de assédio continuam perturbando as mulheres que utilizam o transporte público. Diversas pesquisas já foram realizadas em cima de denúncias registradas de assédio, porém, é preciso considerar que o número seja ainda maior, levando em conta que a maioria das mulheres não realizam a denúncia.

Das 293 queixas de assédio sexual na capital paulista no período entre a sanção da lei até o fim de janeiro, 130 foram casos em transporte público. Logo, em fevereiro deste ano, o transporte público de São Paulo foi considerado o local que há mais concentração de assédio sexual na cidade. Nos boletins de ocorrência, foram identificadas 21 estações de metrô em que os crimes teriam ocorrido, sendo a Sé o local mais frequentemente citado.

A situação fica mais preocupante ao pensar que é no transporte público que o cidadão paulista passa grande parte da sua vida.

 

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