Por Camila Alcântara

Há quem prefira frequentar o cinema, dar audiência para a televisão ou recorrer aos métodos da pirataria, mas o streaming está se tornando a ferramenta mais escolhida nos últimos tempos. Só no Brasil, a Netflix possui mais de 3 mil títulos, e a maneira como são disponibilizados esses conteúdos divide opiniões.

A democratização do acesso a filmes é um fato. O preço e a mobilidade aproximam o público ao entretenimento de maneira instantânea. A contrapartida é um distanciamento das raízes da Indústria Audiovisual, como o cinema.

A sociedade busca cada vez menos o espaço tradicional. A ideia central dele é trazer uma experiência coletiva, memorável. A absorção do conteúdo, na maioria das vezes, se torna mais eficaz, pois o expectador fica vulnerável às sensações que ele proporciona, e essa imersão dificilmente ocorre em casa, no ônibus ou em qualquer outro lugar. A ida ao cinema vai muito além de pagar caríssimo na pipoca, exige concentração. Então conclui-se que não é possível vivenciar essas experiências dividindo a atenção com um smartphone, por exemplo.

A flexibilidade da Netflix dispara na frente dos outros veículos. Essa comodidade já vem sendo criada desde os DVD’s e fita cassete, e atualmente está sendo consolidada nas plataformas de streaming, mas dessa vez de uma maneira diferente: oferecendo conteúdos para manter apenas uma parte da mente do público atenta. A criação de bolhas e o direcionamento ao conteúdo fraco contribuem fortemente para grande parte dos assinantes permanecerem cada vez mais longe do poder que possuem.

O crítico de cinema Heitor Augusto, autor do site Urso de Lata, diz que: “A estratégia da Netflix é genialmente construída porque ela está na estrutura da plataforma. Ela possui categorias em uma homepage bem pensada baseada em multitelas. Apesar desse conteúdo interminável que a plataforma contém, é muito difícil exercer a escolha”.

 Heitor Augusto em entrevista coletiva.

Com base no último relatório divulgado pela empresa, 90% dos assinantes preferem o conteúdo original, o que corresponde a 125,1 milhões de pessoas. Não só do cinema, a plataforma também tem sido grande rival de canais de TV, e muitas produtoras retiraram seus filmes da Netflix antes do vencimento do contrato. Para tentar compensar a redução no catálogo, só em 2018 foram produzidos 470 títulos originais.

 “A estrutura da plataforma não te convida à exploração. A Netflix esconde conteúdo. Se trata de uma plataforma de absoluto aprisionamento. Ela não te convida a descobrir e sim a executar. Quase todo mundo está assistindo a mesma coisa”, afirma Heitor.

Tal afirmação implica em uma sede de audiência da empresa para conteúdos predeterminados e na despreocupação do público com o que lhe é oferecido. Apesar da correria do dia-a-dia e a necessidade de se manter conectado, as pessoas ainda buscam por cultura e entretenimento, porém muitas delas estão cada vez menos exigentes com o conteúdo e mais preocupadas com a mobilidade e o custo benefício.

 

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