“O cinema não pode nada, mas dentro desse nada, pode muita coisa”

O crítico cinematográfico Heitor Augusto fala em entrevista sobre a influência do cinema na sociedade, principalmente na americana

 

(Fonte: arquivo pessoal)

Em uma época na qual a extrema-direita está em um crescimento muito rápido em popularidade entre as sociedades ocidentais, é muito importante que todas as formas de entretenimento, como a música e o cinema, tenham obras representativas e que tragam alguma conscientização para os espectadores e para a comunidade em geral.

O crítico de cinema Heitor Augusto, perguntado sobre o quão importante é a produção de dois filmes tão representativos para a cultura negra quanto ‘Infiltrados na Klan’ e ‘Pantera Negra’, em uma época na qual a supremacia branca, principalmente na sociedade americana, está em ascensão, disse que: “O cinema não pode nada, mas dentro desse nada, pode muita coisa. O recorte social contribui para que algumas mentes possam se conscientizar sobre os graves problemas que muitas vezes elas não enxergam.”

Heitor, que também luta para a representação negra na área do entretenimento, foi curador do Cinema Negro: Capítulos de Uma História Fragmentada (Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte, 2018). Além disso, ele também ministrou cursos como Blaxploitation e o Cinema Negro dos EUA, Spike Lee: Raça, Cinema e Identidade e Multiplicidades do Cinema Africano.

Focando sempre em determinado nicho social, Heitor busca explicar em seu site expressões desconhecidas pelo público geral, como a palavra ’Blaxploitation’. Ele define a palavra no seu blog como “um momento único na história do cinema, em que os negros não só eram vistos como o público-alvo dos filmes, mas como os únicos protagonistas. É um cinema de vingança que manobra a contenção e a liberação da raiva. Não é coincidência que esses personagens sejam a personificação do cool, pois ser cool no cenário racial dos Estados Unidos é negociar ser uma ameaça.”

Os dois filmes citados na pergunta fazem parte de uma nova onda de representação negra na tela do cinema. As histórias de superação e luta dos afrodescendentes principalmente nos EUA intensificam essa necessidade de construir uma mentalidade conscientizada no consumidor.

Heitor também diz que a “representatividade é quando assinamos o cheque”, ou seja, apesar da importância que a causa representa, no final de tudo, não passa apenas de um golpe comercial em busca de conquistar o consumidor. Em outro momento, o mesmo diz que o problema é enraizado pelos grandes estúdios, onde os principais produtores são majoritariamente de origem branca.

A problemática estrutural das produções cinematográficas está em sua origem, e que apenas com uma mudança radical nos níveis de criação e principalmente no imaginário popular, é que poderemos sonhar com um cinema que aborda e abraça as diferenças etnias e classes sociais.

 

Leave a Reply