Por Vincenzo Calcopietro                                                                                                                                   

Maconha, planta conhecida pela humanidade há 12 mil anos, onde o uso recreativo gera as maiores polemicas e controvérsias em todas as esferas, sendo social, política ou econômica. Apesar disso tudo, ainda pode ser utilizada das mais variadas formas, desde papel até indústria têxtil, biocombustível, alimentos, plástico e obviamente, farmacêutica.

Desde 1961, após a ONU em um tratado estabelecer que a maconha era tão perigosa quanto drogas como a heroína, e juntamente a isso, no final da década com a campanha da “guerra contra as drogas”, criada por Richard Nixon (ex-presidente estadunidense), o medo e o tabu criados em cima dessa planta foram gigantescos a ponto de perpetuarem até hoje, influenciando diretamente o pensamento social e as decisões políticas inerentes ao uso da mesma. Apesar de todas essas questões, a aceitação e a quebra do paradigma da marginalização, criminalidade e riscos à saúde vêm se rompendo terminantemente nas últimas décadas devido a movimentos sociais, como a “marcha da maconha” que se iniciou em 1994 e desde então ocorre anualmente em mais de 485 cidades ao redor do mundo, e a conscientização dos efeitos, benefícios e proveitos que a planta oferece em diversos âmbitos. O reflexo disso é que atualmente, é completamente legalizada no Uruguai(desde 2014) e Canadá(desde 2018), porém cerca de 33 países, isso incluindo o nosso, vêm flexibilizando suas leis quanto ao uso da Cannabis, principalmente ao que se refere ao tratamento de doenças sérias, como depressão, parkinson, autismo, epilepsia, esclerose múltipla dentre outras.

De acordo com O “World Drug Report” de 2014 realizado pela UNODC, o Brasil está em 16º país que mais consome maconha no mundo, e São Paulo é a 14ª cidade que mais consome a droga no globo segundo a “Cannabis Price Index 2018”, pesquisa encomendada pela companhia israelense Seedo. Porém mesmo com esse números, o uso recreativo, que dependendo da situação pode ser enquadrado como tráfico, e principalmente o cultivo, são proibidos no Brasil. Após entrevista com diversos usuários que decidiram não se identificar, sendo que alguns até declararam plantar a erva em casa, as opiniões sempre convergem na mesma : “a maconha ainda não é legalizada por simples conservadorismo”. A ideia a ser transmitida com essa declaração é que os políticos em sua maioria ainda representam uma classe conservadora que tenta agradar uma parcela da população que ainda tem um grande preconceito em cima do tema, que, ao invés de ouvirem o que os estudos e pesquisas dizem, acabam por se prender a esse modelo de cidadão de bem já tão ultrapassado.

Mas os ideias dos usuários não são só quererem ser respeitados na decisão de utilizar alguma substância, com o fundamento de quem deve tomar essa escolha são eles próprios e não terceiros, mas também buscam melhores condições. Por conta da ilegalidade não há fiscalização nem leis que assegurem o consumidor do que está sendo vendido. O produto que é fornecido sempre chega em péssimas condições, sendo quase sempre o famoso “prensado” para facilitar o transporte, os traficantes tem o costume de misturar outros componentes como café e até urina, para disfarçar o cheiro e despistar cães farejadores, além de que por conta do mau preparo e armazenamento simples análises laboratoriais comprovam a presença de fungos e substâncias tóxicas como amônia. “Por mais que me faça bem e goste de usar, tenho medo de fumar algo que não sei o que é, o traficante pode ter colocado alguma droga pesada no meio tipo crack e eu nem saberia, por isso que planto em casa, corro o risco de ser preso mas acho que é a melhor opção”. Relata um usuário, que faz uso medicinal da Cannabis, para ajudar no tratamento com ansiedade.

A legalização é uma realidade viável, que beneficiária não só simples consumidores, como também portadores de doenças sérias, abriria um novo mercado no comércio brasileiro que, além de tirar grande poder do tráfico de drogas, geraria empregos e uma notável arrecadação de impostos para o Estado. E o que é dito não é suposição e sim um fato já vivenciado em todos os lugares que aderiram a políticas mais abertas com o uso da droga. O que impede disso acontecer no Brasil é a ignorância, mas que , se os exemplos dos outros países forem seguidos, futuramente esse cenário pode mudar e para a melhor, a cada dia que passa mais pessoas são favoráveis a legalização, e uma parcela maior da população se conscientiza do proveito que a sociedade pode ter com a mudança das políticas públicas, para assim tirar o “maconheiro”, da posição de marginal, e bota-lo em seu devido lugar de cidadão da sociedade brasileira.

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