Por Letícia Costa

Com status de um dos países que mais investe em educação superior, o Brasil peca quando o assunto é educação básica de qualidade, nosso país se encontra em uma posição deplorável no ranking (88º) em relação a educação básica mundial, ficando atrás de países como a Bolívia, Chile e a Argentina.
A falta de investimento na base está gerando, consequentemente, um déficit na quantidade de jovens que querem ser professores, compactuando com a futura falta de profissionais aptos para ensinar. Assustados com as frequentes notícias envolvendo agressões e a insuficiência salarial, nossos jovens estão cada vez mais desinteressados nessa área.

Essa falta de jovens interessados, atualmente, em ser educadores está gerando o que estão chamando de “caos educacional”, que daqui a alguns anos será praticamente impossível de resolver.

Na entrevista com uma graduanda do primeiro semestre de Pedagogia, Maria Eduarda Auricchio, da Pontifícia Universidade Católica podemos ver que apesar da família ter apoiado a decisão dela, por a mãe ser uma pedagoga, o pai segundo ela disse “você sabe que pode acontecer de você não ser devidamente valorizada, por que o professor não é valorizado”, a mesma diz após ser questionada sobre a escassez de jovens procurando por Pedagogia, “realmente, o número de alunos no meu curso é muito pequeno. Há apenas 1 sala com poucos alunos em um único turno. As crianças hoje em dia são fortemente desincentivadas pelos pais quando escolhem essa profissão, é triste, por que o que será do mundo sem nossos professores?”.

Outra consequência da falta de investimento, é a educação de péssima qualidade oferecida pelo estado, onde nossos mestres exercem sua profissão em situações de precariedade nas escolas públicas e estaduais, alguns convivendo diariamente, como é o caso das escolas consideradas de “alta periculosidade”, com agressões físicas e psicológicas, impedindo-os de exercer seu cargo com competência. A entrevistada, Maria Eduarda Auricchio, comenta sobre esse assunto após ser questionada se tinha vontade de trabalhar em uma dessas escolas dizendo que “penso muito e tenho muita vontade de trabalhar em uma dessas escolas, por que, quero tentar fazer um pouco a diferença na vida desses jovens sabe? Quando você faz as coisas com respeito e igualdade, os alunos sentem”.
Isso concomitantemente com outros problemas estruturais como a falta de carteiras decentes, banheiros sujos e, até mesmo, a falta de materiais básicos como um lápis ou uma caneta, contribuem diretamente para uma formação deficiente desses adolescentes.

Mesmo diante desses problemas atuais e dos problemas que estão por vir, o governo brasileiro parece não dar a mínima para os mesmos, criando cada vez mais jovens desinformados e alienados, abaixando a cabeça para tudo que é dito ou prometido, sem qualquer aprofundamento, abertura para de debates ou qualquer margem da opinião do colega ao lado. Tornando esses jovens escravos de uma ideologia ou opinião, superficial, muitas vezes equivocada.

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