Por Isabella Falconier

Ferramenta que possibilita disseminação, o Twitter vem apresentando um papel muito importante na política mundial e, principalmente na política brasileira. Cotidianamente nos “trends topics” (assuntos do momento) está presente discussões entre os usuários sobre determinados posicionamentos, citações e críticas de importantes figuras políticas.

Muitos desses usuários são políticos que diariamente usam essa plataforma com intuito de polemizar assuntos específicos, como é o caso do atual presidente da república, Jair Messias Bolsonaro, que recentemente esteve envolvido na polêmica do “Golden shower”, onde esta polêmica ganhou proporções internacionais e até mesmo um pedido de um impeachment do atual presidente.
Ao postar um vídeo de caráter obsceno em sua conta do Twitter, o presidente Bolsonaro, esteve nos “trends topics” da rede, onde os usuários levantaram a hashtag #ImpeachmentBolsonaro, que como refutação para o impeachment utilizaram o que está de acordo a Lei 1.079 da Constituição Federal, que diz: “proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo”, rompendo assim o decoro do cargo.

A polêmica do ”golden shower” explícita a maneira que esta plataforma digital, o Twitter, é utilizado como palco politico, onde se instalou uma “guerra” entre os usuários apoiadores e opositores do presidente. Os ideais bolsonaristas são fortemente proliferados por meio de seus tuítes, porém o presidente não é o único vetor, como observou o assistente doutor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, José Salvador Faro, “ Penso que o atual presidente da república recorre a auxiliares para produzir seus tweets, em especial seu filho Carlos, apontado como o “gerente” da vida digital do pai. Não acredito que Bolsonaro tenha competência suficiente para produzir qualquer narrativa inteligente que caiba em 140 caracteres. Portanto, é a sua patota que se aproveita do aplicativo para ampliar, nos termos da ideologia de seu grupo, o raio de ação de sua propaganda. Acrescento. Nesse desafio, os Bolsonaro (no singular) contam com um aliado importante que dá eficácia ao uso do twitter tal como vem sendo feito: a transformação do senso comum conservador em articulador ideológico do bolsonarismo e do neoconservadorismo no Brasil”.

Deve-se considerar que a maneira com que ele se posiciona nessa plataforma, influência a forma com que nosso país é visto perante os outros países, o assistente doutor José Salvador Faro analisa, “A julgar pelas matérias que têm sido publicadas na imprensa, em especial durante as desastradas viagens que Bolsonaro fez ao exterior (Davos, Washington e Santiago)… o presidente é visto como um representante dessa narrativa simplificadora do mundo que é o fascismo: um discurso que elimina a mediação institucional na relação com o público substituindo-a pela comunicação direta enfática e dramatizada – como o fizeram, por exemplo, Mussolini e Hitler. A diferença entre esses e Bolsonaro me parece ser a instrumentalização digital do discurso.

É inevitável a comparação do atual presidente brasileiro com Donald Trump, presidente americano, “acho que em termos de comunicação com eleitorado, o presidente brasileiro é visto hoje como um aprendiz de Trump”, como examinou o entrevistado José Salvador Faro.Nos próximos anos de mandato do atual presidente, a utilização do Twitter será cada vez mais explorada, tornando-se um Palácio do Planalto virtual.

Leave a Reply