Por Gustavo Zarza

Em nossos dias estamos vivendo um fenômeno muito interessante. Observamos uma neo-direita surgir com um discurso autoritário, extremamente nacionalista e até preconceituoso. Vemos um mundo onde norte-americanos em sua grande parte, reprimi e prolifera o ódio aos imigrantes latino-americanos. E uma sociedade brasileira que deseja o fim dos “vermelhos” no país, além de espalhar outros preconceitos a gays, negros e pobres.

Esses discursos não são novidades na história humana. Na Europa nos anos 30 vimos discursos semelhantes surgirem, porém, em contextos diferentes. Mesmo sendo dois países, Alemanha e Itália passaram por momentos de extrema crise pós-primeira guerra mundial, devido a derrota da Alemanha e destruição da Itália, mesmo saindo vencedora após mudar de lado. Com altas inflações, humilhação e muita miséria, ideias comunistas rondaram estes países, porém, com medo de perder sua propriedade, a burguesia investiu em pequenos partidos nacionalistas que passaram um vexame nas eleições anteriores.

Na Alemanha tínhamos Adolf Hitler, que constituiu um estado-nação muito poderoso, através da militarização do país e do trabalho escravo dos judeus nas industrias , além de ser extremamente preconceituoso com eles, os concentrando em campos e disseminando o ódio em toda Alemanha. Logo abaixo geograficamente, Benito Mussolini, um forte estadista, que reprimia qualquer tipo de oposição. Fundou o partido Fascista, que tinha entre os seus slogans “Itália, ame-a ou deixe-a”, também organizava movimentos contra comunistas, os espancando na rua. Estas duas figuras históricas estão sendo retomadas, devido a associação a dois presidentes contemporâneos: O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não poupa críticas aos imigrantes, os atacando de forma muito forte e elaborando a construção de um muro na fronteira com o México. E o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, fortemente contra a oposição, chegando a dizer que “os vermelhos serão banidos do Brasil”, se referindo ao Partido dos Trabalhadores, além disso, dizendo que “ter filho gay é falta de porrada” e que “fraquejou na hora de ter uma filha” e entre outras coisas.

“Em questão as polêmicas, não passam de rótulos que mídia tentou colocar na cabeça dos brasileiros”, afirma Vinicios Filgueira, estudante, que votou em Bolsonaro, além de dizer que o presidente se expressou mal. “O vice dele General Mourão, fez uma declaração escandalosa, de que seu neto só era bonito porque havia embranquecido a raça”, disse Amailton Azevedo, professor de história da PUC–SP, e continuou a dizer : “Um ex-membro da Klu Klux Klan, disse que o Bolsonaro se parecia com um deles. E eu não me recordo do próprio fazer uma crítica contundente a esta declaração … então dizer que seu neto só é bonito porque a sua raça foi higienizada, foi embranquecida, é uma expressão notadamente totalitária, racista e fascista”.

Dois outros entrevistados e que também apoiaram Bolsonaro, junto de Vinicios, disseram que é bom ter uma oposição, ter vários tipos de pensamentos em uma democracia, porque se não houvesse seria “ditadura”. O que é estranho, pois o próprio presidente é saudosista e faz elogios ao período da ditadura militar vivida no Brasil. Ao ser questionado sobre isso o professor Amailton nos explica que “essa incongruência de defender a oposição e de defender o extermínio da esquerda, expressa o modo como essa neo-direita populista age, que flerta com o fascismo, não admite a crítica, o contraditório e o debate. Expressões como essas, mostram a intolerância pro diálogo, e isso é muito perigoso, na medida em que a democracia é a institucionalização dos conflitos. Num regime democrático as inquietações, as insatisfações devem passar por um diálogo e não as banir, porque bani-las é típico de modelo autoritário”.
Foi perguntado ao professor se realmente há uma ameaça da volta de governos Fascistas, através do globo, ele disse crer “que o termo mais apropriado não seria o retorno de governos fascistas, porque esta neodireita vai negar, mas sim que é um retorno de um ultra populismo de extrema direita, com características de massas. Essa tendência emergente em escala mundial alcançou as massas, o fato de conseguir seduzir o eleitorado, mostra o jeito que eles militam. Eles tomaram a militância política pelas novas mídias sociais, via twitter, facebook e entre outros, usados para difundir suas ideias”.

Portanto como sabemos, no mundo de hoje não se cabe mais discursos autoritários, o mundo em que vivemos deve progredir e não regredir, para isso todos devemos cumprir nosso direito em uma democracia, além de estarmos atentos aos possíveis discursos desse âmbito.

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