por Manoella Smith

Mãe (2017), o último longa do diretor Darren Aronofsky é cheio de simbolismos. Isso dividiu o público entre os que detestaram, os que amaram e também os que não entenderam nada do indigesto e frenético filme.

Logo no início o diretor apresenta a protagonista, interpretada por Jennifer Lawrence, uma dona de casa devotada a seu marido, um escritor em crise criativa, vivido por Javier Bardem. Enquanto ele tenta achar inspiração para escrever, ela dedica todo o tempo a restaurar a casa, destruída por um incêndio.

A história começa a se desenvolver quando o casal é visitado por um fã que é convidado pelo marido a passar a noite, sem o consentimento da companheira.  Embora a mulher seja sempre reprimida e tenha suas vontades ignoradas pelos personagens, a câmera de Aronofsky fica sempre colada a Lawrence, quase que perseguindo-a, o que contribui para a sensação de angústia presente no filme.

Após o primeiro visitante, a casa recebe o restante de sua família e amigos, que quebram todas as normas da “mãe” – entram em cômodos proibidos, quebram coisas. Aos poucos a casa começa a ruir, numa sequência de cenários e situações absurdas causadas pelos invasores.

“Mãe” não pode ser reduzido a um filme de suspense com um enredo repleto de delírios. É uma grande alegoria com referências bíblicas e da história humana. O diretor concebe uma obra profunda que permite diversas interpretações: desde um retrato do pecado original até o de mulheres que se doam em vão a seus maridos.

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