O Voluntariado é um projeto que, junto com o Colégio Pentágono, se propõe a ajudar algum grupo que precise. No caso de uma das franquias da escola, localizada no Morumbi, possuem o trabalho voltado para comunidades ao redor, acolhendo tanto as crianças quanto as famílias que precisam de ajuda.

“Nós tiramos essas crianças de um sábado ocioso e também das ruas e tentamos passar conhecimento de uma forma que não é só em sentar na cadeira e ficar estudando”

O principal projeto do Voluntariado é o “Caminhando para o futuro”, que acontece aos sábados no próprio estabelecimento escolar. Voluntários se juntam para atender crianças entre sete e dezessete anos nas oficinas. No todo são 18 oficinas na área educacional, cultural e esportiva e essas são preparadas pelos próprios professores voluntários. Cada criança participa de três a quatro oficinas por sábado.

Organizar o projeto que acontece todos os sábados e todos os outros eventos que o Voluntariado faz durante o ano para arrecadar dinheiro, não é uma tarefa fácil e conta com a ajuda dos voluntários. Para entender melhor como funciona o projeto e como é a relação dele com seus voluntários, conversamos com Camila Subtil, uma mãe voluntária.

Ela começou no projeto em 2017, ajudando com um pouco de tudo, mas conforme foi se envolvendo, ela cada vez mais começou há dedicar mais tempo ao Voluntariado e a ajudar sempre que podia. Hoje ela participa mais ativamente na organização dos projetos do Voluntariado, indo desde a preparação das oficinas que acontecem aos sábados até ajudar com todo o planejamento dos maiores eventos.

Mãe de dois filhos, Camila espera que eles se interessem por ajudar no futuro. Ela diz que seu filho mais velho já gosta de participar dos eventos e ajudar da maneira que puder, mas que ele ainda é muito novo para participar das atividades de sábado sem que ela fique supervisionando; então ela acaba não o levando por saber que não vai ter tempo para o acompanhar, já que ela é uma das responsáveis pelo acontecimento de todas as atividades e tem que supervisionar e ajudar com tudo o que puder.

Qual o objetivo principal do Voluntariado?

São várias campanhas e eventos, mas a principal ação é o projeto “Caminhando Para o Futuro” que foi criado em 2003. Antes o Voluntariado trabalhava com outras ações. O principal objetivo do Caminhando Para o Futuro é atender crianças carentes da comunidade local, na área educacional, cultural e esportiva, tentando passar valores para sua formação.

Quais seriam essas campanhas e eventos que você mencionou?

Dentro do Voluntariado nós temos várias campanhas e eventos, como o evento principal sendo a festa junina, que é o que arrecada mais dinheiro para manter o projeto. Depois tem o “Dia da pizza”, o dia dos pais e o dia das mães, que esse ano a gente introduziu uma feijoada solidária. Tem também o dia do cão, que acontece a cada dois anos, e esse ano ele entrou como a “campanha do cão amigo”, onde arrecadamos materiais de necessidade para uma ONG que esse ano foi a Cão Sem Dono.

No final do ano também tem uma campanha muito legal que é o “Adote um amigo”, então um aluno do colégio “adota” um aluno do projeto para dar um presente. Também no fim do ano, tem a campanha da cesta básica, que é para doar para as famílias. E tem grandes bazares que a gente faz que vendem roupas, brinquedos, utensílios domésticos, com um preço acessível para os funcionários do projeto e do colégio.

Você disse que possuem três segmentos no projeto, a área educacional, cultural e esportiva. Em sua opinião além da educacional, qual seria a importância da área cultural e esportiva?

Para essas crianças é um reforço escolar, mas trabalhamos de uma forma lúdica, na área educacional temos recreação, inglês, artes e coral, que também são da área cultural. Nós tiramos essas crianças de um sábado ocioso e também das ruas e tentamos passar conhecimento de uma forma que não é só em sentar na cadeira e ficar estudando. Temos várias atividades, como por exemplo, desde o ano passado que entrou uma academia de caratê, que além de ser um esporte, também trabalha com a formação pessoal e da disciplina.

Como vocês selecionam as comunidades que são atendidas?

Por proximidade. Hoje atendemos o Jardim Rebouças, Jardim Mingá e Morro da Lua que são as três mais próximas, que ficam no entorno do colégio.

Como funciona a inserção das crianças no projeto?

Por meio da inscrição que começa normalmente em fevereiro ou março, então damos no máximo um ou dois meses para se matricularem depois disso, para não perderem as aulas. Em outubro a gente manda a rematrícula para os alunos, porque tem toda uma documentação necessária, assim como o número de vagas é limitado. Como as crianças da comunidade já se conhecem, eles acabam falando do projeto entre si e é assim que ele acaba sendo divulgado.

Quando e por que você entrou no projeto?

Meu filho entrou no pentágono em 2015, então eu conheci o projeto nesse ano através das campanhas. Por exemplo, em abril tem a campanha de páscoa, que o Voluntariado pede aos pais e aos alunos a doação de caixas de bombom para fazer a páscoa dos alunos do projeto. Depois tem a festa junina, onde eles pedem a colaboração dos pais, aí eu trabalhei na festa em 2015 e 2016. Mas comecei a participar mesmo do projeto em 2017.

Qual é o seu papel dentro do Voluntariado?

Bom, a principal ação é conhecer o projeto, porque tudo é feito em função do projeto Caminhando para o futuro. Dessa forma, comecei a ir nos sábados ajudando no geral, como recebendo as crianças ou, se um professor não pudesse ir, eu ajudava nas oficinas. O projeto acontece aos sábados, mas durante a semana tem que ter toda a preparação das oficinas, separando os materiais para cada uma, por exemplo. Depois disso eu comecei a ajudar nos eventos.

Qual você acha que é a importância do “Caminhando para o futuro” para os alunos do projeto?

Eu acho que é uma forma deles terem acesso ao que eles não têm no dia a dia. Por exemplo, eles têm aula com os alunos do Pentágono, utilizando o espaço e o material da escola, então eu acho que é muito importante para a formação deles.

Existe alguma história dos alunos que te marcou?

Sim. A história da Elisa que tem 24 anos e estava trabalhando como monitora do coral. Ela é da comunidade e estudou 10 anos no projeto. Elisa entrou na faculdade, fazem uns dois ou três anos, ela passou na USP e recentemente ganhou uma bolsa de estudos para passar um semestre em Portugal. Ela até fez um texto bem bonito sobre acreditar nos seus sonhos e nunca desistir, e ela agradece muito o Colégio Pentágono e o Voluntariado que sempre a apoiaram.

Seus filhos participam do projeto?

Como eu estou sempre nos eventos, se eles não estão em horário de aula eles estão lá comigo. Meu filho mais velho gosta de participar e ajudar, mas ele ainda é muito novo, então aos sábados eu ainda não o levei, porque como eu fico cuidando de tudo eu não ia conseguir ficar com ele o tempo todo. Eu estou esperando ele crescer mais um pouco para começar a levar ele para se voluntariar aos sábados.

Qual é a importância de colocar os alunos do pentágono em contato com os alunos da comunidade já que eles vivem realidades tão diferentes?

Temos 60 voluntários inscritos do colégio. E tem aqueles 15 ou 20 voluntários que são muito ativos, que se envolvem, dão aula e são até responsáveis por oficinas. Para eles é importante esse trabalho, até pela faculdade ou pelos projetos futuros deles. Nós vemos que esses alunos que estão lá gostam do que estão fazendo, então é uma forma de eles passarem o conhecimento para essas crianças sem esperar nada em troca.

“É um projeto anual e não só aos sábados.”

O voluntariado é um trabalho em tempo integral?

Como eu falei, comecei a trabalhar aos sábados, mas ao se envolver, acaba virando um compromisso e então você começa a se preocupar para que tudo dê certo e passa a ir durante a semana para fazer tudo o que precisa. Então hoje, sempre que precisam eu estou lá, as vezes eu levo as coisas para casa para terminar. É um projeto anual e não só aos sábados.

Por Gabriella Lopes e Malu Souza.

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