Por Mariana Lopes

As eleições de meio de mandato,  conhecidas como “midterms” nos EUA aconteceram terça-feira dia 6 de novembro e afetaram o mercado brasileiro. O dólar, assim que os resultados saíram, com a vitória dos democratas  na Câmara dos Deputados e dos republicanos no Senado, caiu levemente. Mostrando uma segurança maior dos investidores brasileiros.

De acordo com o estudante de economia da FEA-USP José Zobaran, que acompanha de perto os assuntos estadunidenses, esse movimento de câmbio logo após uma eleição é normal e “raramente responde de forma consistente”.  Além disso, diz “como o resultado apresentado já era o esperado, qualquer efeito que ele pudesse ter no câmbio já teria sido incorporado nos últimos meses ou semanas”.

Mais do que os resultados em si, e não as consequências das eleições é que devem ser avaliadas de perto. Por exemplo, a agenda política americana, controlada pelo presidente Donald Trump e sua maioria republicana pelos últimos dois anos, provavelmente sofrerá mudanças. Talvez com a certeza o presidente tenha mais dificuldades em aprovar leis em sintonia com sua visão de país.

De acordo com Zobaran, o primeiro item na agenda dos democratas muito provavelmente vai ser manter as investigações contra o presidente e talvez com a certeza de que não haverá intervenção do chefe de Estado. A segunda coisa mais importante, e o que os elegeu, é tentar assegurar o funcionamento das leis implementadas pelo ex-presidente Obama, como o Obamacare, constantemente criticado por Trump.

Adesivos entregues para eleitores americanos. Fonte: https://thehill.com/opinion/campaign/408445-what-matters-in-the-midterms-the-economy-stupid

Adesivos entregues para eleitores americanos. Fonte: https://thehill.com/opinion/campaign/408445-what-matters-in-the-midterms-the-economy-stupid

Por outro lado, para os investidores americanos, um Congresso dividido pode significar moderação e diálogo entre os dois partidos, em um momento de extrema polarização no país.

O Fed, o banco central americano, deu esta resposta na quinta feira dia 8 de novembro, e manteve a taxa de juros estáveis, entre 2%, como previam os analistas, que graças ao alto nível de consumo no país, ao protecionismo ferrenho do presidente Trump, e outros fatores continua a subir.

A economia americana vem crescendo em um nível constante desde a posse do presidente republicano em 2016, com os níveis de desemprego mais baixos desde 1968 (3,7%) e os salários subindo. Antes dos resultados das eleições, havia um temor de que o banco central aumentasse a taxa de juros para segurar um possível  aumento da inflação por conta das políticas protecionistas do presidente Trump e sua “guerra” de tarifas com a China. Esta ação poderia ser desastrosa para outros países, especialmente os emergentes, já que os investidores tenderiam a investir mais nos EUA e retirar seu capital dos outros mercados. Porém, com o resultado dividindo o Legislativo, o Fed manteve  a taxa de juros, deixando o mercado internacional mais seguro.

Leave a Reply