Startups se multiplicam e expandem áreas de atuação

Depois das fintechs, a nova aposta para inovações tecnológicas é o setor da saúde

Por Diana Ribeiro e Emily Moura

É cada vez mais comum ouvir falar em startup, o novo modelo de gestão de empresas tem atraído jovens empreendedores, talentos da tecnologia e muitos usuários sedentos por produtos e serviços inovadores.

As startups, de modo geral, trazem novos estilos de gestão ao mundo corporativo. Desenvolvimento ágil, inovar com rapidez, menos de burocracia e não se prender as hierarquias são alguns pontos que chamam a atenção.

As empresas suguem para solucionar algum problema ou simplificar a vida de seus usuários, seja dificuldade de locomoção, financeiro, educacional, entre outros. Nubannk, Guia Bolso, Yellow, Rappi e Descomplica são algumas das startups reconhecidas no mercado brasileiros.

Segundo dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups) entre 2012 e 2017 o número de startups mais do que dobrou no Brasil, passando de 2500 para 5100. Os dados são apenas de startups registradas pela associação. Estima-se que há cerca de 10 a 15 mil que não estão registradas na ABStartups. A maior concentração das novas empresas está no eixo entre Rio de Janeiro e São Paulo

De acordo com Antônio Rocha, presidente da Startup IQ 360, o crescimento das startups acompanha o que está acontecendo no mundo: “O empreendedorismo está aumentando no Estados Unidos, Europa, Ásia e agora no Brasil; e o crescimento das startups começa quando os jovens descobrem outras opções de carreiras”.

E acrescenta: “Hoje os jovens talentos enxergam a possibilidade de trabalhar em startups ou mesmo empreender, o que não é era realidade há 10 anos”. Além disso, os profissionais valorizam mais relacionamentos horizontais e ambientes de trabalhos mais livres.

A cultura de startup é um ponto que chama a atenção nesses empreendimentos. Fazer mais em menos tempo com menos recursos é o lema das jovens empresas. Mesmo empresas que cresceram e ganharam proporções multinacionais não querem deixar de ser vistas como startups por conta da cultura.

Está cada vez mais na moda ser uma empresa inovadora e tecnológica, a Amazon e o Facebook por exemplo, as empresas mais valiosas do mundo, começaram como startups.

No entanto, Rocha conta os desafios que é liderar uma nova empresa: “O primeiro desafio é a construção de equipes. Atrair e reter talentos de tecnologias é uma dificuldade no mundo inteiro”.

“A construção da marca também é um grande desafio e é algo fundamental. Mas sem o dinheiro que grandes empresas têm, é necessário criatividade e ações de marketing não tão convencionais, marketing de guerrilha, ações com influenciadores e viralizar na internet por exemplo”, afirma.

As fintechs, startups voltadas para o mundo financeiro, tiveram um crescimento considerável no Brasil. Hoje em dia são muito comuns bancos digitais, cartões solicitados diretamente pela internet e portais que visam educar financeiramente o brasileiro.  No Brasil há diversas fintechs, como o Nubank e o Guia Bolso, que estão simplificando a vida financeira de seus clientes com apenas um clique.

As fintechs conseguiram conquistar espaço no mundo financeiro, devido à demanda de inovações nesta área. Com as Health Techs está acontecendo a mesma coisa.

O que são as health techs?

Health tech é o termo utilizado para nomear qualquer uso de tecnologia em prol da saúde. Desde aplicações, atendimento ou até mesmo, formas avançadas de fabricação de produtos farmacêuticos. A tecnologia aplicada à saúde acaba causando um impacto global, pois, raras exceções, as doenças têm tratamentos válidos para qualquer parte do mundo.

O sistema publico de saúde no Brasil tem uma demanda muito grande e acaba não dando conta de atender tantas pessoas. Além disso, é muito difícil estimular a prevenção de doenças fora de campanhas, como o outubro rosa, por exemplo. Por essas e outras causas, as health techs têm um público promissor para conquistar aqui no Brasil. As empresas que visam usar tecnologia na área da saúde, geralmente focam em três pilares principais, prevenção, diagnóstico e formas de tratamento.

Para que as health techs tenham tanto êxito quanto as fintechs, é importante investir em incentivo para que novas tecnologias sejam desenvolvidas por especialistas brasileiros. Para incentivar quem já trabalha na área da saúde a desenvolver inovações, existem alguns cursos e eventos voltados para tecnologias médicas.

A Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap) disponibiliza o curso de MBA em health tech. O curso é destinado para profissionais e empreendedores da área da saúde. O objetivo é que os alunos dominem as tecnologias aplicadas á saúde, que possam empreender nesta área e contribuir de alguma forma para a população.

Além do curso, ocorreu em março deste ano o segundo Healt Tech Conference. O evento reuniu diversos especialistas e as mais novas tecnologias na área da saúde. Com uma programação voltada para a inovação, o evento foi ótima oportunidade para conferir como anda o mercado tecnológico nesta área e, claro, para fazer networking.

Como as health techs atuam no Brasil?

As health techs atuam principalmente em prevenção, diagnóstico e tratamento. No Brasil já temos startups nestas três áreas, como a CUCO Health, MedRoom e a Predict Vision.

Atuando na área de prevenção e tratamento, a CUCO Health, desenvolveu um assistente de saúde. A fundadora da CUCO, Livia Cunha, chama a plataforma de enfermeira digital. A função do aplicativo é lembrar o paciente de tomar seus remédios e educa-lo de forma consciente e segura sobre sua doença, seja ela crônica ou esporádica.

A MedRoom tem o objetivo de facilitar a transição entre o teórico e o prático na área de educação. Usando óculos de realidade virtual (VR), a MedRoom presta serviços particulares para instituições de ensino da área de saúde.

A Predct Vision é focada em diagnósticos por inteligência artificial (AI). O objetivo da Health Tech não é substituir o especialista, mas sim, ajudar a diagnosticar doenças de forma mais precisa, sem depender apenas dos conhecimentos do médico.

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