Evento reúne novas perspectivas de um mundo em crise

Evento organizado por estudantes de jornalismo da PUC-SP abordou temas da atualidade como os novos mercados de trabalho.

Por Julia Pestana

Existe um hiato entre o fim de um modelo de jornalismo e o não advento de um outro que o substitua e transcenda suas bases. Essa e mais outras questões foram discutidas nesta 40ª Semana de Jornalismo na PUC-SP. O evento ocorrido de 22 ao 26 de outubro, reuniu debates que envolveram o tema “Jornalismo em um Mundo de Crise e Suas Saídas”.

Com convidadas e convidados especializados nos assuntos, a Semana englobou discussões sobre o “Impacto das Fake News nas eleições presidenciais” com a presença do candidato a senador, Eduardo Suplicy, a mesa “Deixa Ela Trabalhar” em que mulheres contaram um pouco sobre como trabalham com futebol e como lidam com o fato de ele ser um ambiente majoritariamente masculino. Houve ainda mesas mais descontraídas, como a de “Novas Narrativas de Cultura”, que apresentaram o olhar do Rap com o cantor San Joe.

Além de enriquecedores debates foram comemorados os 40 anos do curso de Jornalismo da PUC-SP, que continua crescendo e se aperfeiçoando diante das novas perspectivas de crises do mundo, mas com um olhar voltado as possíveis saídas, entre elas, um dos encontros sobre “Novos Mercados de Trabalho”. Esta mesa discutiu, mais especificamente, outras formas de se fazer jornalismo além das tradicionais redações e a televisão. Com mediação do professor Leonardo Sakamoto, a ideia era ouvir profissionais de mídias independentes, freelancers e outras plataformas pouco conhecidas pelos alunos.

O debate contou com a presença do jornalista da Ponte Arthur Stabile, a Andreia Lago chefe do Eder Content, do freelancer Oslaim Brito e da jornalista da Folha de S.Paulo, Camila Marques. Essa composição de jornalistas formou uma mesa estruturada entre os possíveis trabalhos diante da narrativa atual, com o uso da internet, a facilidade de ser autônomo como freelancer, ou então, a transformação necessária que plataformas do jornalismo impresso, como a Folha de S.Paulo têm de fazer para sobreviver.

“Há muitos jornalistas bons fora das grandes imprensas, às vezes até melhores”, afirmou Andreia Lago, sócia da Eder Content, uma agência independente de reportagens multimídia para uma nova geração de consumidores de informação. Este veículo não publica as reportagens em sua plataforma, tem como objetivo oferecer conteúdos jornalísticos a diferentes veículos de comunicação do Brasil e potencialmente do exterior. Andreia Lago dá a dica para os alunos de que “todos devem começar aprender a vender suas próprias matérias. Ser independente, produzir com independência, mas publicar na grande imprensa”.

Já o trabalho de freelancer foi visto e questionado com interesse pelo público, a fim de entender como era ser independente, por exemplo, a forma como Oslaim Brito vendia suas informações ou imagens para grandes imprensas e principalmente o quanto ele ganhava. Os equipamentos eram basicamente o seu celular e um tripé. Trabalhava dirigindo moto, por ser mais rápido de se locomover na cidade e conseguir imagens de acontecimentos não captados por outros veículos. Oslaim demonstrou que ganhava o suficiente e que estava feliz com a profissão, admitindo que “estava do lado dos manifestantes e não dos policias como no Cidade Alerta”, ou seja, mostrava um lado da história que diversas vezes não é contado.

Antes do encerramento do debate, o professor Leonardo Sakamoto fez uma pergunta que deixou os convidados entusiasmados sobre “como os jornalistas imaginam o jornalismo daqui 15 anos”. Camila Marques da Folha de S.Paulo acredita que existirão empresas menores e que “nós achamos que o passado foi fácil, mas apenas esquecemos o que passou, pois foi apenas uma dor de cabeça, e que outras dificuldades sempre virão”. Já Arthur Stabile da Ponte afirmou que “o futuro não está traçado, mas sugiro que todos pensem em como cada um ser sua própria imprensa”. O freelancer Oslaim Brito, acredita que o jornalismo vai virar uma espécie de “Uber” (aplicativo de “taxi”), ou seja, todos serão freelancers. Já Andreia Lago, não foi esperançosa nem pessimista, acredita que o que irá mudar serão apenas as plataformas e não o tipo de jornalismo.

Camila Marques citou uma frase da jornalista Mônica Bergamo em que ela afirma que “no jornalismo não existe sorte e sim insistência”, ou seja, independente das respostas dadas sobre o futuro do jornalismo em 15 anos ou mais, ele apenas existirá caso tenha a persistência do jornalista em ouvir e repassar verdadeiramente as informações por ele apurada.

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