Por Joao Pedro Bortoti Daleffe

No dia 28 de Outubro, no segundo turno das eleições presidenciais, o então candidato Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito para um mandato de quatro anos na Presidência. Dentre as incertezas que cercam seu governo, está a nova política externa que pretende adotar. Na primeira entrevista após a eleição, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, foi enfático ao dizer que o Mercosul e a Argentina não serão prioridade.

As declarações de Guedes geraram preocupação entre empresários e diplomatas. “Se esfacelar o Mercosul, será um grande desserviço à paz na região”, disse o ex-chanceler Celso Amorim em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, criticando a postura com que o futuro governo trata o bloco sul-americano, com menos importância que países como Israel e Chile – este último, aliás, membro-associado do Mercosul.

Desde que o Mercosul foi formado, em 1991, o Brasil sempre teve relação amistosa com seus membros, efetivos e associados, mantendo fortes alianças comerciais com países como a Venezuela e a Argentina, que somente este ano exportou para o mercado brasileiro o equivalente a US$ 1,8 bilhão em carnes, o que ilustra a importância do país vizinho na economia brasileira.

Entretanto, o futuro governo anuncia uma mudança de postura em relação aos países sul-americanos por conta de divergências políticas, com o argumento de que priorizar os países vizinho não geraria tantos benefícios.

Outra proposta da equipe de Bolsonaro para a política externa é a transferência da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, causando reações negativas no mundo árabe, em especial no Egito, que cancelou a ida do ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, em resposta ao anúncio do presidente eleito. A atitude do governo egípcio põe em risco as relações comerciais com os países árabes, que em 2017 geraram um superávit de US$ 7,1 bilhões para o Brasil, considerando as remessas para os 22 países que compõem a Liga Árabe.

Para o diplomata e professor da PUC-SP Tomaz Paoliello, as novas relações diplomáticas do Brasil mostram um foco em tentar melhorar a economia aproximando-se de nações desenvolvidas. “Para o novo governo, se relacionar com países sul-americanos pode significar um atraso econômico, mesmo que tenha boas relações comerciais, como ocorre com a Argentina, por exemplo”, diz Paoliello.

Segundo Paoliello, a decisão de não priorizar o país vizinho tem a ver com questões políticas, uma vez que o neoliberalismo defende o livre mercado, o que se contrapõe à maioria dos países sul-americanos, que estão com dívida externa  alta, podendo dificultar os interesses do governo. “O novo governo entende que a Argentina pode não ser um bom negociador por entender que essas nações sao fracas economicamente,  não representando nenhuma vantagem no momento se relacionar com os paises sul-americanos”.

Entre os principais parceiros comerciais do Brasil, a China encabeça o ranking, com participação de 21,81% nas exportações e 18,12% nas importações. Em segundo lugar, aparecem os Estados Unidos, com participação de 12,34% nas exportações e 16,48% nas importações. Já a Argentina, que ocupa a terceira posição, tem participação de 8,09% nas exportações e 6,26% nas importações brasileiras.

Pelo fato da China ser a maior parceira comercial do Brasil, o presidente eleito fez questão de voltar atrás na parceria economica com o pais asiático, pois o político tenha declarado de que iria romper as relações econômicas, mostrando assim que o pais vizinho não será prioridade em nenhum momento de seu governo.

 

 

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