(Imagem/reprodução UOL conteúdo)

 

Matheus Lopes Quirino

Debutar nas redes sociais virou case nos últimos anos. O poder da imagem cresce conforme os follows vêm. O texto diminui. O objetivo é colocar-se no centro do universo, angariar seguidores, e ao mesmo interagir além das fronteiras físicas e virtuais. Surgem, então, com o intuito de facilitar essa corrente frenética de socialização, aplicativos como o Facebook, Twitter, Tumblr e Instagram – ao último, reserva-se um charme especial. Glamourizado, criou-se no aplicativo de compartilhamento de fotos e vídeos um próprio universo em que a captação e a codificação de imagens beiram a vaidade em sua concepção mais inocente.

Contudo, mesmo se tratando de uma atividade esportiva, no que concerne o âmbito social e suas interações como instrumento para apaziguar os ânimos, as redes sociais têm capturado as atenções de forma negativa, também. Deste modo, a fim de fornecer ao usuário um espelho, um tanto mais transparente, para elucidar suas obsessões no campo da própria imagem, o Instagram, em parceria com analistas de saúde mental e feedbacks de usuários, iniciou uma ferramenta que dosa o tempo diário no aplicativo.

Os testes começaram em maio deste ano. A versão final consiste em um painel que apresenta sete colunas que marcam o tempo gasto na rede de segunda-feira a domingo. Com base na média semanal, o aplicativo lança, caso o usuário exceda seu tempo médio em uma data, um lembrete para avisá-lo sobre um excesso de uso.

No Instagram, é possível encontrar o gráfico na seção intitulada “Sua atividade”. Também é possível gerenciar o tempo na rede e personalizá-lo. Abaixo do intertítulo “Gerencie seu tempo”, encontram-se duas ferramentas que auxiliam o usuário com alarmes. Pode-se definir, além da média diária já enviada automaticamente, tempos a critério do usuário.

Efeitos colaterais

Para efeitos gerais, aparar as arestas dos malefícios produzidos pelos aplicativos requer uma busca ao aperfeiçoamento das próprias criações, progressivamente. A solidão, essa faca de dois gumes produzida pelo Movimento do Individualismo – ao contrário do ócio, muitas vezes fruto benéfico desta – tem se agravado na Era Digital, demonstrando efeitos contrários à socialização, proposta magna das redes sociais.

Segundo uma pesquisa publicada no Periódico Americano de Medicina Preventiva, passar mais de duas horas diariamente nas redes sociais potencializa a probabilidade da sensação de isolamento.

“É possível que jovens adultos que se sentiam isolados socialmente tenham recorrido às redes sociais. Mas pode ser que o uso cada vez mais intenso de mídia social os tenham levados a e sentir isolados do mundo real.”, declarou a professora de pediatria da Universidade de Pittsburgh Elizabeth Miller à BBC de Londres.

A pesquisa entrevistou cerca de dois mil adultos com idade entre 19 e 32 anos. E, além do Instagram, o censo questionou os entrevistados sobre o tempo gasto em outras redes sociais. Ainda segundo o estudo publicado, confere-se ao tempo usado em imersão nas redes sociais uma baixa em aspectos fundamentais na socialização, esta literal, no mundo real.

Fotografias

O Instagram foi lançado em meados de 2010 e logo celebrizou-se.. A aderência à rede foi um gole de luxúria à própria criação. E tais adjetivos, mesmo que por vezes pejorativos, queira ou não, assim passam a circundar o cotidiano dos milhões de usuários persuadidos pela rede. O aplicativo iniciou-se em 2010 como algo que se assemelhava ao analógico, mas só em aspectos estéticos do layout vintage do app.

A estudante de letras da Universidade de São Paulo Giovana Proença, 18, contou que, no início do Instagram, utilizava pouco a rede social, pois não havia muita adesão. Hoje ocorre justamente o contrário, ela diz: “Você quer saber o que está acontecendo de bom ao seu redor? É só abrir o Instagram e um amigo já postou”.

A professora da PUC-SP Pollyana Ferrari que recentemente lançou o livro Como sair das bolhas (Educ), coloca-se otimista quanto ao papel de interação da rede social: “Hoje tudo acontece no Instagram, o quanto de gente que vê seu trabalho lá, facilita muito. Além da rápida comunicação e do compartilhamento de histórias, o app virou um lugar muito bacana até para se conseguir trabalhos e parcerias”.

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