Por: Bruno Verneque, Isabela Olivieri, Sofia Andreassa

A gravidez geralmente é um dos momentos mais felizes da vida das mulheres que sonham com a maternidade. Contudo, nem tudo são flores. Apesar da felicidade de carregar seu bebê, muitas sofrem os problemas de saúde frequentes durante a gestação de gerarem uma vida: pressão alta e pré-eclâmpsia, diabete gestacional e baixo sistema imunológico são só alguns dos riscos que as futuras mamães sofrem.

Muitos desses riscos podem ser evitados se a mulher durante a gestação, além de fazer o acompanhamento pré-natal com um médico, tiver uma vida balanceada que envolva boa alimentação, nenhum consumo de álcool, drogas ou nicotina e fazer exercícios físicos regularmente. Quanto a isso, a fisioterapeuta Talita Fragoso indica exercícios que trabalhem a respiração física, fortalecimento de pernas, braços, lombar e que ajudem o sistema cardiorrespiratório. Contudo, ela ressalta a importância de uma conversa prévia com o médico: “A mulher não pode se exceder na carga e deve evitar exercícios que trabalhem a musculatura abdominal e de muito impacto. A frequência cardíaca deve ser, no máximo, de 40 batimentos por minuto”, diz.

Sandra Galasse foi mãe com 33 anos e conta que mesmo antes da gravidez, sempre levou uma vida saudável e balanceada. Por isso, mesmo com o fator da idade, não teve problemas durante a gestação ou depois para voltar ao peso original. Ela ressalta que o diferencial foi seguir as orientações médicas à risca para não ganhar muito peso durante a gravidez, somente o necessário para o nascimento de um bebê saudável.

Ela engordou apenas 7,5 quilos durante oito meses de gestação e seu bebê nasceu com 2,300 quilos, 46 centímetros e com boa saúde: “Eu fiz natação durante toda a gravidez e não tive dor alguma. Tomava muito cuidado para não engordar além da conta, só durante as festas que levei bronca do médico por ter engordado 2 quilos, mas é que eu adoro panetone”, diz ela, rindo. O ideal é que se ganhe apenas um quilo por mês de gestação.

Foto: Isabela Olivieri

Bianca Araújo sentiu dores e cansaço nos últimos meses de gravidez, por não ter praticado nenhum exercício físico de forma regular e com o acompanhamento de um especialista. Além disso, ela não seguiu a orientação de engordar somente um quilo por mês. Em entrevista nos disse: “Na gravidez tive bastante dor no final, com oito meses porque a barriga estava muito grande, uma caminhada de dez minutos me deixava muito cansada, estava imensa, engordei 18 quilos. Porém caminhar sempre me deixava mais feliz, a autoestima da gente fica uma maravilha, pois muitas pessoas te bajulam o tempo todo, fazendo você se sentir bonita e especial. O exercício também me fez sentir desse jeito, me sentia mais bonita e melhor”, conta Bianca.

Um dos exercícios que muitas mulheres têm feito é o pilates que, assim como a natação, pode ser realizado durante a gestação ou com o bebê. Conversamos com a professora Gabriela Fragoso que falou um pouco sobre isso: “O pilates para as gestantes é muito benéfico, pois o método ajuda em todas as fases da gestação, as aulas são adaptadas para a individualidade de cada aluna. Os exercícios são executados de maneira controlada e visando os cuidados e o que precisa ser beneficiado em cada fase da gestação. Ou seja, para cada momento há adaptação de movimentos, sendo realizados de forma lenta e controlados para atender as necessidades da gestante.” Já a professora Renata de natação destaca os benefícios que a atividade física pode trazer ao bebê: “Ajuda na adaptação ao meio líquido, sociabilidade, reforço do sistema cardiovascular, evita acidentes, aprendizagem organizada, estímulo das habilidades motoras, melhoria no sono e alimentação.” E com tudo isso também é possível ajudar na depressão pós-parto.

Foto: Studio Core Fit https://m.facebook.com/studiocorefit.pilates.yoga/

Além dos cuidados com o peso, é recomendável que a gestante cuide da pele para prevenir estrias para que isso não cause perda de autoestima durante ou depois da gestação. Outro aspecto que pode causar desconforto para a futura mãe são as dificuldades e as dores que algumas mulheres sofrem ao amamentar o bebê. Por isso, é recomendável que elas tirem momentos para cuidarem de si mesmas e prepararem o corpo para uma função tão importante quanto a amamentação. A OMS (Organização Mundial da Saúde) ressalta a importância do aleitamento materno exclusivamente até os seis primeiros meses de vida do bebê e até os dois anos simultaneamente com outros alimentos.

Quando se fala da autoestima de uma mãe o assunto é muito mais sério do que apenas voltar ao peso original por estética. É também evitar a depressão pós-parto. Apesar de ter os mesmos sintomas da depressão comum, sua causa envolve a queda brusca de hormônios após o parto, a mudança da rotina e as novas demandas emocionais que um bebê recém-nascido necessita, diz a psicóloga Renata Sayeg. Ela ainda alerta que a depressão pós-parto não prejudica só a mãe: ao não conseguir cuidar do filho da maneira correta, ela corre o risco de atrapalhar o desenvolvimento cognitivo e afetivo dele. Quem já teve depressão tem cerca de 50% a mais de chance de desenvolver a doença após o nascimento do bebê. Quem teve uma gravidez indesejada ou teve problemas emocionais antes e durante também é mais propenso a desenvolver a doença. Ela destaca a importância de não julgar a mãe que está passando por isso: “É importante tentar acolher a mulher e, ao identificar os sintomas como irritabilidade excessiva, falta de empatia e um desânimo muito grande, deve-se procurar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra.“ O uso do antidepressivo não prejudica o aleitamento, desde que tudo seja conversado com um médico.

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Ainda em relação à depressão pós-parto, as professoras Renata e Gabriela ressaltam a importância do exercício físico para prevenir a doença sem precisar de remédios antidepressivos: “O exercício físico melhora a qualidade de vida, criando hábitos mais saudáveis e ajuda a manter um bom estado de saúde física e mental. A atividade física melhora a concepção da imagem corporal, no ânimo das gestantes, além de ajudar na ansiedade, sem que elas tenham que recorrer a medicamentos antidepressivos”.

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