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Por Beatriz Leite

A Pinacoteca organiza uma exibição da exposição “Mulheres Radicais: arte latino-americana, 1960-1985”, desde 18 de agosto, e apresenta trabalhos de mulheres que se atreveram a quebrar o machismo histórico e questionar o mundo com de sua arte. Entre os trabalhos exibidos, de cerca de 118 mulheres, é possível encontrar obras das artistas emblemáticas, como Lygia Clark, Lygia Pape, Cecilia Vicuña, Ana Mendieta, Anna Maria Maiolino, Beatriz Gonzalez, Margarita Azurdia, Janet Toro e Marta Minujín.

A maioria das obras da mostra foram realizadas durante ditaduras militares ou guerras civis, portanto cercado de repressão, tortura, autoritarismo, violência e censura. Todavia, foi também um momento que gerou espaço para novas percepções artísticas. Grande parte das artistas se envolveram em movimentos em prol de direitos civis, dos direitos homossexuais, movimentos antiguerra e feministas.

Quase como uma coincidência, a mostra ocorre um momento de muita tensão política no Brasil. Com as eleições se aproximando, as mulheres têm se organizado em grupos e se manifestado contra o presidenciável Jair Bolsonaro, candidato que faz declarações machistas, homofóbicas, racistas e apologia à tortura e ditadura militar. A organização feminina e manifestação contra o candidato, pela hashtag #EleNão mobilizou mulheres por todo o mundo e ontem (29), houve protestos ao redor do globo contra Bolsonaro.
A mostra aborda também a riqueza e importância da arte feminina. Segundo as curadoras Cecilia Fajardo-Hill e Andrea Giunta, “A exposição surgiu de nossa convicção comum de que o vasto conjunto de obras produzidas por artistas latino-americanas e latinas têm sido marginalizado e abafado por uma história da arte dominante, canônica e patriarcal”.

Obras que exploram o corpo e a figura da mulher não como um objeto de prazer masculino, mas como donas de si mesmas. E a questão sexual, da representação da vagina e de como ela é subjugada pelo poder atribuído ao pênis também são questões apresentadas.

 

“El pene como instrumento de trabajo” e “Patente del Taco” – Maris Bustamane

 

 

Obra de Karen Lamassonne.

“Mulheres Radicais” é uma exposição que leva à reflexão sobre os papéis da mulher na sociedade e na arte. Vale a pena conferir.

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