Séries, possíveis novelas do futuro

Downton Abbey: possível modelo de tendência para as futuras novelas

 

É possível as séries tomarem o lugar das novelas no futuro? Entrevista realizada com roteiristas de TV mostra se isso pode acontecer.

Por Helena B Lorga 

 

Esse formato tomará o lugar das tradicionais telenovelas?

A telenovela tem suas raízes na radionovela, é o gênero de maior sucesso no Brasil e, segundo a roteirista Leila Míccolis, “o formato se caracteriza por ser uma obra aberta, criada através de capítulos entrelaçados, encadeados, narrados numa trama principal com começo, meio e fim, além de serem histórias contínuas, ininterruptas e que se esgotam integralmente, de uma só vez”. Sobre as séries, que tiveram seu início a partir das telas do cinema, Leila Míccolis afirma que “é um produto fechado, tem menos capítulos, e, no caso de seriados, pode constituir-se de episódios avulsos, soltos, separados, onde cada um já traz um enredo completo e se liga ao outro. Também pode ter uma ou várias temporadas”. Segundo a autora, “a grande semelhança entre ambos é que usam os elementos da teledramaturgia, que traz, simultaneamente, recursos cênicos, cinematográficos, audiovisuais e literários”.

Apesar dessas diferenças marcantes, há duas séries que têm formatos muito parecidos com os de novelas, como “Downton Abbey” e “Revenge”, cujas histórias de sequência ao longo dos episódios, inúmeros personagens, dentre outras semelhanças com a telenovela. As duas foram muito prestigiadas em vários países.

Downton Abbey é uma história que retrata a vida da aristocrática família Crawley e seus respectivos criados, na fictícia propriedade chamada de Downton Abbey, em Yorkshire, e se passa durante o reinado de Jorge V, no início do século XX. Basicamente, mostra as diferenças no convívio de duas classes sociais: a rica e a pobre, bem como os costumes que cada uma segue, como o casamento arranjado para manter a linha de riqueza, as disputas entre as cozinheiras para agradar aos patrões, etc. É uma série de TV da Inglaterra, produzida pela companhia Carnival Filmes para o canal ITV. Muitos a consideram como a série britânica mais assistida do planeta.

Com relação à Revenge, o próprio site da Wikipédia o classifica, dentre outros gêneros, como “Telenovela”. Conta a história da personagem fictícia Amanda Clarke, que quando criança teve seu pai preso e assassinado sob falsa acusação de terrorismo, e agora, usando o nome de Emily Thorne, volta à família Hamptons para vingar a morte de seu progenitor. É uma série de TV estadunidense de drama, criada por Mike Kelley para a emissora ABC. Fez enorme sucesso e é avaliada por alguns críticos como “o maior sucesso televisivo no mundo das séries desde Dallas”.

O roteirista Ricardo Tiezzi afirma que: “Há uma boa possibilidade de que ambas sejam novelas do futuro, pois elas atendem a duas tendências:

  1. O investimento de tempo que a novela tradicional exige está cada vez mais sob- risco, pois os tempos são mais rápidos e demandam que se vá direto ao ponto;
  2. O formato seriado tem reencontrado a lógica do arco longo, típico de novelas, que segue agradando o público.

Sendo assim, o gênero intermediário da minissérie ou novela curta vislumbra seu espaço em um futuro próximo”.

Contudo, Leila Míccolis é contrária a isso, dizendo que “Embora não tenha visto “Downton Abbey”, se a estrutura dele é igual à de “Revenge” considero os dois seriados diferentes, portanto, das novelas. Creio que, no futuro, a propensão seja até de as telenovelas diminuírem os seus tempos de permanência no ar; porém não creio na tendência delas a virarem série, porque, nesta hipótese, do meu ponto de vista, deixarão de ser novelas”.

Enfim, de modo geral, podemos ver que as novelas terão que readaptar suas estruturas para se manterem no ar, porque o ritmo do público mudou atualmente. Todavia, cada gênero tem seus respectivos espaço e, apesar dos reajustes, cada uma manterá sua própria essência, e poderemos, assim, continuar aproveitando tanto as séries, quanto as tradicionais novelas.

 

DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS ENTRE SÉRIES E NOVELAS (SEGUNDO RICARDO TIEZZI)
SÉRIES NOVELAS
Trabalha com concentração Trabalha com distensão
Veio do cinema e por isso pode trabalhar com a força da imagem Veio do rádio (radionovela) e pode ser entendida mesmo na ausência de imagem
Pede concentração e fidelidade do espectador Não pede tanta concentração, sendo que o espectador pode fazer atividades paralelas
Se apoio em um jogo de imagem e fala A fala predomina
PRINCIPAL SEMELHANÇA: Ambas pertencem à mesma tradição da história canônica estabilizada pelo cinema clássico, que por sua vez é herdeiro do romance e do teatro populares. Trata-se de uma longa tradição que ainda conserva potencialmente a chance de atingir um grande público.

 

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