No dia 28 de outubro, ocorrera o segundo turno das eleicoes presienciais no Brasil. Dentro de um cenário muito incerto, a economia está no mesmo clima, uma vez que, dependendo do resultado da votação, pode sofrer impactos significativos, a começar pelo câmbio.

 

O economista-chefe do banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves, diz que a preocupação quanto ao aumento do dólar advém de dois fatores importantes. O primeiro é que, atualmente, trata-se da moeda com maior circulação no mundo, o que a torna não apenas uma necessidade universal como um investimento, sobretudo em momentos de instabilidade. Todas as principais economias do mundo fazem comércio e negociações internacionais em dólar. O segundo fator é histórico: com o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos  saíram fortalecidos economicamente e, através do Plano Marshall, reergueram a Europa, em especial a Alemanha, obrigando-a a pedir ajuda aos americanos. Essa ajuda dos Estados Unidos acabou fazendo com que o país ganhasse respeito por parte das nações europeias e asiáticas, o que se refletiu no âmbito econômico, onde o dólar tem um valor e  uma importância maiores em relação às outras moedas.

 

“Depois do auxílio que os Estados Unidos deram para a Europa, as nações beneficiadas foram obrigadas a retribuir, e foi usando o dólar que encontraram a forma de manter relações diplomáticas, além de devolver o que os americanos  fizeram”, explica Gonçalves.

 

O economista ainda salienta que, quando há uma dívida externa entre países, o pagamento é feito em dólar, tamanho o peso e a importância que a moeda carrega. É  o caso da Argentina, que está mergulhada em dívidas bilionárias com os Estados Unidos há algum tempo.  “A Argentina está devendo milhões em créditos para os Estados Unidos, por conta da crise econômica que vem afetando o país sul-americano, não havendo possibilidade de os credores pagarem de uma vez só a dívida, que não é pouca”, afirma Gonçalves.

 

Em contrapartida, há a competitividade do Brasil em relação a produtos que são exportados para os Estados Unidos, como o petróleo, que, com a crise na Venezuela, dona de uma das maiores reservas do mundo, ganhou espaço no mercado norte-americano.

 

No inicio de outubro, o  presidente americano Donald Trump disse que o Brasil não estaria levando a sério a diplomacia  entre os dois países, que segundo ele é um dos mais duros do mundo, sem mencionar as eleições e a instabilidade política. A crítica ao país advém das altas taxas de importação que, para Trump, o Brasil tem cobrado de outras nações.

 

Além da importância no comércio mundial, o dólar é usado como investimento por muitas famílias e, em países turísticos, chega quase a se sobrepor à moeda local. Na República Dominicana, por exemplo, é fácil encontrar estabelecimentos que aceitam igualmente o dólar e o peso dominicano. Resta saber como, no Brasil, o resultado das eleições vai influenciar o valor da moeda e as relações do país com o resto do mundo.

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