Mercado abraça Bolsonaro

Investidores preferem a incerteza de um novo governo ao projeto já conhecido do PT

Imagem retirada da revista Exame

Por Carolina Tribst

O fracasso da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) e sua incapacidade de avançar nas pesquisas fizeram o mercado financeiro abandonar seu favorito e aderir, de maneira majoritária, à candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), mesmo que haja dúvidas de que o candidato é capaz de articular os acordos e reformas necessárias.

O curioso sobre a recepção calorosa a Bolsonaro por investidores é que não se sabe o que a eleição dele significa para o próprio mercado. O candidato faz piadas sobre sua falta de conhecimento de economia e afirma que deixará este assunto para seus assessores.

O cenário eleitoral sempre foi muito confuso desde o início dessa eleição e estratégias de polarização foram usadas, ficando mais evidentes na véspera das votações. Hoje as pesquisas apontam uma vantagem expressiva de Bolsonaro em relação a seu adversário no segundo turno, Fernando Haddad (PT). A última pesquisa sobre o segundo turno realizada pelo Ibope, divulgada na segunda-feira (15), aponta que Jair Bolsonaro lidera com 59% das intenções de votos, enquanto Haddad está com 41%.

Gráfico Evolução de Intenção de Votos - G1

Gráfico Evolução de Intenção de Votos – G1

Esta preferência, já indicada nas oscilações da Bolsa de Valores e do dólar, foi apontada pelo economista-chefe da corretora Spinelli, André Perfeito, em vídeo publicado nas redes sociais no dia 20 de setembro. Segundo ele, o mercado vinha apostando fortemente na perspectiva de que o candidato tucano, Geraldo Alckmin pudesse ganhar relevância após a saída do ex-presidente Lula da eleição. “A questão é que o Alckmin não representa o remédio mais forte contra o antipetismo, quem representa é o candidato do PSL, ex-capitão, Jair Bolsonaro”, afirmou Perfeito.

O ex-diretor de política monetária do Banco Central Luiz Fernando Figueiredo, sócio da gestora de investimentos Mauá Capital, deixou claro sua preferência pelo candidato de direita, em entrevista à Folha de São Paulo. Figueiredo afirmou que a volta do PT ao poder representa mais riscos do que os de um eventual governo Jair Bolsonaro. Segundo ele, não há perigo de ruptura das regras do jogo democrático com sua vitória.

Os ativos brasileiros são afetados por receio de que o eventual vencedor da eleição não realize as reformas impopulares, mas necessárias para arrumar o déficit público. O programa do PT é de quem quer ser oposição, não de quem quer ser governo. O próximo presidente, seja ele quem for, terá que fazer uma reforma da Previdência para equilibrar as finanças no longo prazo e um ajuste fiscal de curto prazo já que o espaço para corte de despesas é muito pequeno. Em segundo aspecto, também seria necessário um aumento de carga tributária.

O economista Rafael Bianchini acredita que a esquerda até se propõe a fazer estas mudanças, mas de um jeito que seria ruim para o mercado financeiro.  “Em relação a reforma da Previdência a direita é muito mais precisa do que a esquerda. Você pode achar ruim ou boa, mas a direita deixa muito claro que a reforma vai ser feita”, afirma Bianchini. Segundo ele, a direita também propõe um receituário mais liberal para empresários que desejam fazer negócios.

Com a melhora do desempenho de Bolsonaro nas simulações de segundo turno, o mercado parece estar sendo puxado por ações de empresas ligadas pelo mercado interno, como varejistas e bancos privados.

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