Com a letargia da atividade econômica, o mercado financeiro brasileiro tem passado por solavancos. O dólar chegou abater R$ 4,21, no fim da manhã do dia 5 de setembro, o que obrigou o Banco Central a intervir. Além do Brasil, outros países emergentes atravessam um período turbulento em visão ao cenário global.

Em julho, a queda anormal no valor da lira turca foi um sinal de alarme para todos os emergentes. Entre eles, a lira não é a única moeda que perde força. O centro da crise está na capital turca, Ancara, mas as consequências chegam ao Brasil, Argentina, África do Sul, Rússia e Índia.

Desde o começo do ano, a lira turca perdeu quase 40% de seu valor. Na Argentina, a queda do peso foi mais lenta, com uma desvalorização de 11%, em setembro, mas com um resultado quase igual: pouco mais de 40% desde o começo do ano. O rublo russo voltou a ficar fraco, como era em 2016. O real brasileiro chegou ao seu menor valor em mais de dois anos (com uma queda de quase 20% no ano). E a rupia indiana está desde maio em seu mínimo histórico.

Em alguns casos, a incerteza política atrapalhou. Em outros, pesa a dependência em relação às matérias-primas da China. Os investidores parecem esperar as questões políticas internas nos países se resolverem antes de se comprometerem. Como é o caso do Brasil e da Índia.

No caso do Brasil, o real voltou ao nível de 2016, no período do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O motivo disso é a incerteza eleitoral, com uma competição muito acirrada no primeiro turno da eleição presidencial, que acontecerá em 7 de outubro. A maioria dos candidatos não detalhou suficientemente seu programa de reformas nem de ajustes necessários para uma economia em crise. De acordo com o economista João César Kubitschek: “a maioria dos candidatos falam de uma forma mais ampla sobre os principais temas voltados à economia: déficit primário, controle da inflação, PIB, investimentos em áreas prioritárias, reformas, entre outros temas.” Isso pode causar insegurança nos investidores e hesitação por parte deles na hora de aplicar capital no país.

O Brasil enfrenta sua maior crise econômica desde a redemocratização na década de 80. E, apesar de não ter sido tão afetado pela crise mundial de 2008, o país sentiu os efeitos da crise em 2014 e a recessão só terminou ao final de 2016. Os números demostram o quanto o Brasil ainda não se recuperou: fazem cinco anos que o pais termina o ano com as contas em vermelho.

De acordo com a historiadora Andrea Carreiro “A economia tem papel fundamental na definição do voto” e segundo ela a crescente criminalização da politica e a falsa percepção de que todos os políticos são iguais certamente favorece a atual posição de um candidato como Bolsonaro.

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