Crise não afeta crescimento dos bancos

Apesar do desemprego e da inadimplência recordes, instituições financeiras continuam a aumentar lucros

Por Juliana Munaro

Não existem dúvidas de que o Brasil ainda não saiu da crise econômica. O PIB, um dos principais indicadores para medir a evolução da economia, encolheu 7,2% nos anos de 2015 e 2016. Apesar do saldo se tornar positivo desde 2017, os analistas têm a expectativa de que a economia somente irá retornar ao patamar anterior à recessão a partir de 2021.

Além disso, outros indicadores como o desemprego e a inadimplência estão altos. O número de pessoas desempregadas chega a 12,7 milhões, isto é, 12,1% da população, segundo o IBGE. Apesar da quantidade ter diminuído desde o começo do ano, quando atingia 13,7 milhões de brasileiros, o desalento segue recorde. Já os inadimplentes chegam a 41% da população, o que é equivalente a 62,9 milhões de brasileiros. Este número cresce pelo 11º mês consecutivo.

No entanto, um setor parece não se abalar: os bancos. No final de 2017, o rendimento total dos cinco maiores bancos brasileiros foi de R$ 77 bilhões, isto é, um crescimento de 33,5% em comparação com 2016. O Itaú, instituição financeira que teve o maior lucro, angariou R$ 29,4 bilhões e teve um crescimento de 12% em relação ao ano anterior, enquanto o Bradesco teve um crescimento de 11% e o maior lucro de sua história: R$19 bilhões.

No Brasil, quatro bancos detêm o poder de mercado: Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander. De acordo com o economista e mestre em economia política, Marcos Henrique do Espirito Santo, uma das razões para o crescimento dos bancos está no oligopólio financeiro. Ele explica que a fraca concorrência neste mercado faz com que os bancos possam manter a taxa de juros mais vantajosa para eles.

“O Brasil possui uma das maiores taxas de juros do mundo. O Banco Santander, por exemplo, oferece um crédito de 180% para pessoa física no Brasil, enquanto o mesmo banco na Espanha, possui uma taxa de 4 a 5%” diz Espírito Santo.

De acordo com um estudo feito pelo Banco Central, é necessário que uma instituição financeira cobre uma taxa de juros em suas operações de crédito que reponha as suas perdas com a inadimplência. Isto é, quando a inadimplência aumenta, as taxas de juros acompanham este crescimento.

Outro exemplo de um mecanismo utilizado para desviar da crise é a compra dos chamados títulos do tesouro, emitidos pelo governo. Com eles, os bancos ganham uma série de isenções tributárias, o que acaba contribuindo para seu lucro. Em 2017, por exemplo, os maiores bancos brasileiros tiveram uma queda de 38% em suas despesas, de modo que desembolsaram menos R$135 bilhões com a sua carga tributária.

Além disso, houve também um grande esforço de racionalização de custos, de acordo com o analista de bancos da Austin Rating. Luis Miguel Santacreu. Em uma entrevista para o site do “Correio Braziliense, ele explica: “Os bancos investiram em tecnologia, sistemas e reduziram despesas. Ao longo do tempo, os grandes foram comprando os pequenos e incorporando ativos e clientes. Isso fez com que ganhassem escala, mas também provocou a concentração”.

Deste modo, as novas tecnologias possibilitam que as instituições reduzam a mão de obra, e portanto, diminuam os seus custos. Cada vez mais os bancos investem em tecnologia, criando aplicativos para facilitar a manipulação online do dinheiro e estimulando a criação de agências virtuais.

Assim os bancos criam mecanismos para superar a crise e mostram a sua força e solidez em meio a um mercado cheio de incertezas econômicas.

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