Orgânicos: muito mais que alimentos, um estilo de vida e um ato político

Por Carolina Faita, Giovanna Colossi, Giovanna Pereira e Jennifer Dias

A internet proporcionou a democratização da informação, hoje não acompanhamos apenas a mídia tradicional, temos acesso a informações novas diariamente, 24 horas por dia. No mundo democrático virtual novos gurus, ídolos, médicos, nutricionistas, personal trainer se tornaram influenciadores de opiniões e atitudes.

Através dessa nova fonte de informação e propagação de definições estéticas consideradas ideias, houve cada vez mais a disseminação da informação de que produtos orgânicos não eram apenas mais saudáveis, como também se encaixavam no estilo de vida natural necessário para obter resultados estéticos desejáveis.

Com essa nova popularidade, a procura por produtos orgânicos cresceu de forma ascendente. Segundo dados do Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis)  em 2017 o setor faturou R$ 3,5 bilhões apenas no mercado nacional. Em 2016, o faturamento foi de R$ 3 bilhões, sendo que em 2010, quando foi feito o primeiro levantamento, havia faturado R$500 milhões.

Mas será que nessa busca por uma alimentação mais saudável, as pessoas entendem o real significado de produzir, consumir e viver de forma mais orgânica?

Para entender mais sobre o estilo de vida orgânico, entrevistamos o agricultor David Raliteira, fundador da Fazenda Santa Adelaide Orgânicos, localizada em Morungaba, que distribui mensalmente 60 toneladas de alimentos orgânicos.

Um dos parceiros da Fazenda Santa Adelaide Orgânicos é o mercado orgânico Solli, localizado na região de Pinheiros que vende mais de três mil produtos com certificação orgânica, que conta também com a plataforma de rastreabilidade de origem dos seus produtos chamada de #eurastreio. Para se encaixar no estilo de vida orgânico, o mercado adotou a pratica de realizar a compostagem de produtos vencidos e estragados para que virem biofertilizantes, que são distribuídos para seus clientes de forma que dentro do seu mercado conseguem fechar o ciclo de produção orgânico e sustentável.

Para se encaixar nesse estilo de vida é necessário comprometimento com a causa, tempo e dinheiro. Sendo dinheiro o principal fator do porque o Brasil ocupar o primeiro lugar no ranking mundial de países que mais consomem agrotóxicos, segundo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva.

Para a agricultora Lucimara Dias, de Rondonópolis, Mato Grosso, não há agricultura de extensão viável sem o controle das doenças que afetam a produtividade e que enquanto não exista outro meio menos prejudicial para combatê-los, é sim necessário que haja um alinhamento entre agrônomos e pesquisadores para que o uso de pesticidas não se torne prejudicial, mas que entre produzir com mais agrotóxicos e ter pessoas passando fome devido ao alto valor de alimentos de menor produção, ela escolhe a primeira opção.

Para a agricultora a questão da saúde vai muito além, para uma vida saudável também é necessário olhar para outros aspectos, como o alto consumo de açúcar e produtos industrializados pelos brasileiros. Já para David e Thiago, é possível encontrar alimentos orgânicos mais baratos que os convencionais desde que se respeite a sazonalidade e saibamos que existem custos para que um produto tenha a certificação orgânica, além de ser importante colocar na ponta do lápis, futuros gastos com remédios que o consumo excessivo de agrotóxicos pode trazer.

Uma alimentação saudável proporciona qualidade de vida, pois faz nosso corpo funcionar adequadamente respondendo a todas as funções e é uma das melhores formas de prevenção para qualquer doença. “Você é o que você come”, frase mais falada, porém, não é mais do que a pura verdade. Até o estresse, a ansiedade e o humor se alteram de acordo com o que você ingere.

A seguir temos uma entrevista em forma de podcast com a nutricionista, Claris Laguna, 37. Ela comenta sobre os malefícios dos agrotóxicos em nosso organismo e os ideais de corpo ideal, confira:

 

Em contra mão com a nova descoberta dos brasileiros por produtos orgânicos, foi aprovada por uma comissão em junho, a PL do Veneno, que propõem uma série de mudanças para afrouxar as regras sobre o uso, controle, registro e fiscalização de agrotóxicos, que deverá ser votada na Câmara dos Deputados após as eleições de Outubro.

Tanto para David Ralitera, quanto para Thiago Faydin, não é surpresa que a PL tenha sido aprovada.

Orgânicos são um assunto novo na mesa do brasileiros, por mais que o entendimento ainda seja supérfluo e muitas vezes o consumo só seja iniciado devido a promessas estéticas, ainda sim, traz para dentro de casa um assunto que diz respeito a forma como lidamos com alimentos, o solo e o que vamos deixar como legado para as gerações futuras. Na pior das hipóteses o aumento no consumo de orgânicos vai nos tornar mais militantes e opositores de propostas governamentais que não visam o bem estar social e a saúde coletiva.

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