Candidatos divergem em propostas econômicas

Candidatos líderes têm visões distintas sobre privatizações e reformas

Por Gabriel de Souza Damião

Em outubro, os brasileiros irão decidir quem vai governar o país durante os próximos quatro anos. Diante de uma das maiores crises econômicas da história do país, os candidatos apresentam propostas para a recuperação financeira nacional. Corte de gastos ou investimentos sociais? Privatização total, parcial ou fortalecimento das empresas públicas? Manter a Reforma Trabalhista, votar a da Previdência ou revogá-las? Taxar grandes fortunas ou simplificar os impostos? Os planos de ação econômica divergem entre os candidatos, sem apontar um caminho comum para o crescimento brasileiro.
“Programas tem muitos. Você pode discuti-los, se é bom ou se é ruim, mas eu acho que não, nenhuma condição de executar qualquer um deles.”, apontou Delfim Netto, professor da USP e ex-ministro da Fazenda, à Globo News. A favor da Emenda Constitucional 95, que restringe os gastos públicos durante 20 anos, Delfim considera que o Brasil se tornou “inadministrável” após o impeachment de Dilma Roussef, por conta da divergência entre os três poderes. O professor diz que a política brasileira vai continuar com os mesmos protagonistas, sustentados no poder pela articulação das bancadas no Congresso Nacional.

 

Fonte: https://www.eleicoes2018.com/como-votar/

 

Em meio ao caos político que se configura no país, um candidato ao comando do Executivo tem destaque nas mídias. Jair Bolsonaro, conservador e armamentista lançado pelo PSL, afirma que, se chegar ao Palácio do Planalto, criará um “superministério” econômico, liderado pelo economista Paulo Guedes. A nova pasta aglutinaria os ministérios da Fazenda, Indústria, do Planejamento e Secretaria-Geral. Bolsonaro diz planejar também zerar o déficit primário em 2019 e obter um superávit no ano seguinte, proposta considerada irrealista pela Instituição Fiscal Independente, que aponta um déficit zerado apenas no último ano de mandato do novo presidente. Com o objetivo proclamado de “deixar para trás o comunismo e o socialismo e praticar o livre mercado”, o presidenciável defende ainda a redução de impostos, se opõe à taxação de grandes fortunas, proposta por Guilherme Boulos, do PSOL, e afirma que estatais serão privatizadas, extintas e uma minoria, preservadas, mas não especifica quais.

 

Com versículo bíblico, programa de governo de Jair Bolsonaro é registrado no TSE com o título de Caminho da Prosperidade. Fonte: https://br18.com.br/o-caminho-da-prosperidade-de-bolsonaro/

 

Já Marina Silva, candidata pelo Rede Sustentabilidade, afirma que vai analisar a privatização de empresas públicas, mas não de grandes estatais como Petrobrás, Banco do Brasil e Eletrobrás. Sobre venda da última, proposta pelo governo atual, Marina afirmou em entrevista ao UOL que se for realizada da forma que está sendo conduzida atualmente, irá na contramão que o Brasil deve seguir. Ela diz que o país pode ter uma energia 100% limpa, renovável e segura. “O Brasil pode ser uma economia descarbonizada”. Em relação às reformas, a presidenciável diz que pretende revisar a Reforma Trabalhista e fazer alterações na Previdência diferentes das sugeridas por Michel Temer, combatendo os privilégios nas aposentadorias e realizando uma transição daqueles que atingirem a idade necessária e os que estarão entrando no mercado.
Produzida em meio ao impasse na candidatura de Lula, a reportagem considerou as pautas econômicas do Partido dos Trabalhadores. O PT anunciou o objetivo de revogar medidas como a emenda do teto de gastos, a Reforma Trabalhista e mudanças no marco regulatório do Pré-Sal. O partido também afirma que irá cobrar impostos de grandes fortunas e transações financeiras e isentar do imposto de renda aqueles que ganham até cinco salários mínimos. Foi anunciado também o plano de investimento público na industrial nacional.
Afirmando que irá “quebrar o cartel de bancos”, Ciro Gomes, do PDT, diz que vai aumentar a competitividade entre do setor bancário e diminuir a taxa de juros. Com discurso reformista, declara que pretende colocar para votação uma nova Reforma Trabalhista e uma Previdenciária, para que trabalhadores construam uma espécie de poupança para pagar sua aposentadoria.
Através de privatizações e com parcerias do setor privado, o tucano Geraldo Alckmin promete dar prioridade à retomada dos investimentos em infraestrutura caso eleito. O ex-governador de São Paulo diz que pretende eliminar o déficit público em dois anos e dar foco especial para a exploração das potencialidades das regiões Norte e Nordeste, como investimento em energias sustentáveis, turismo e agricultura.

 

 

As intenções de voto para presidente em 05/09. Fonte: https://especiais.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2018/pesquisas-eleitorais/ibope/ibope-mostra-bolsonaro-emprimeiro-lugar-na-disputa-presidencial/

 

Entre candidatos com menor intenção de voto, as diferentes abordagens econômicas ainda entram em confronto. Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda e candidato do MDB, promete desburocratizar o governo em diversos serviços e colocar em pauta a Reforma da Previdência de Temer. Cabo Daciolo, do Patriota, afirma que irá aplicar um pacote de
reduções na taxa de juros, carga tributária e despesas do Estado. Já João Amoedo, do Novo, anuncia uma vasta privatização de estatais como a Petrobrás, Caixa Econômica e Banco do Brasil.

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