Por Mariana Ribas e Carolina Varella

No dia 29 de agosto de 2018 a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo foi abalada por uma notícia de cunho político e moral trazida diretamente pela FUNDASP, mantenedora da faculdade. A instituição impõe mudanças ao estatuto no ato de n° 15/2018 e suas propostas afrontam o juízo da faculdade, que tem em seu histórico de luta a defensão de valores democráticos e forte presença e influência de alunos e professores no sistema.

POR QUE AGORA?
A reforma não é um caso isolado e se propaga de maneira consciente. Reconhecemos isso ao considerar o afastamento dos alunos por conta de insucessos do passado, como um momento propício para FUNDASP implantar as novas medidas que já estavam definidas a quase 20 anos. O golpe de 2012 manifestado pelos arqui bispos, que optaram pela terceira candidata das urnas e a frustrante percepção dos alunos de que para competir com a FUNDASP e os bispos, não podem se ater a instrumentos constitucionais, identifica-se como um momento de fragilidade do movimento estudantil. O afastamento dos estudantes da PUC provoca a perda de seu caráter popular e essa brecha, também ocasionada por estarmos em época de eleição, cria um momento oportuno para as mantenedoras revelarem oficialmente as mudanças.
A tensão presente na Universidade emerge quando é divulgado o projeto que visa implantar o ponto biométrico dentro das salas de aula controlando entradas e saídas. A questão provocou um dilema no íntimo da universidade e foi responsável pela organização de Assembleias. Inflamando ainda mais os ânimos, foi veiculado as propostas do novo estatuto, incluindo o seu curto prazo de aplicação.

O novo estatuto apresenta necessidades que se opõe constitucionalmente a relação democrática presente na universidade entre alunos, professores e mantenedores. A proposta pretende extinguir os cargos de chefe de departamento de curso e a privação de votos para reitor. Com a cumprimento dessas novas leis, o estudante não pertencerá mais ao espaço dedicado a ele e sua posição será alegórica. Em alguns dias o controle das eleições para reitoria não estará mais nas mãos dos alunos e sim dos bispos, e simbolizando o medo da Igreja ao distanciamento do pensamento cristão, o novo representante deverá profetizar a fé católica. Além disso, pretendem estabelecer aposentadoria compulsória dos professores aos 75 anos, um projeto de caráter generalizado que se atribui como uma forma de mercantilizar o ensino, uma vez que um professor mais velho custa mais do que um mais novo.

POSICIONAMENTOS

Este novo projeto está sendo reprovado por 5008 pessoas as quais assinaram o documento oficial Manifesto em Defesa da PUC-SP. Dirigentes de movimentos sociais, ex ministros, diplomatas, artistas, ativistas, juristas e intelectuais estão inclusos nessa extensa lista. Outro fator que os afligem é o prazo de 60 dias, que contradiz com o caráter democrático da universidade, pois debater sobre o futuro da universidade, desenvolver o pensamento crítico, criar alternativas e principalmente, alertar a todos, denúncia o comportamento autoritário que a FUNDASP e o bispos já tem.

Os professores se reuniram na APROPUC no dia 7 de agosto para debater. As falas dos 400 professores que fazem parte da instituição convergiam para o argumento de que a medida além de autoritária vai contra o desenvolvimento do conjunto das atividades acadêmico-pedagógica que não se limitam exclusivamente a aulas.

***Para conseguir articular as diferentes propostas foi organizado um dia 19/09 Audiência Pública para unir as instâncias estudantis, dos funcionários e da FUNDASP;

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