Mercado brasileiro de games cresce mais de 600% em dez anos

Produtores independentes conquistam espaço entre grandes empresas do setor

Por Emily Moura

O mercado mundial de games é extremamente competitivo e diversificado, e desde meados dos anos 80 o brasileiro tem participação ativa no consumo dos jogos digitais. Hoje mais do que nunca: este ano o país está em 13° lugar entre os que mais lucram com games no mundo, e é o líder da América Latina neste vetor.

Com a consolidação no mercado dos games, é natural o brasileiro procurar estabelecer uma identidade nacional, porém os desenvolvedores de jogos brasileiros ainda são muito pequenos e não tem nenhum tipo de apoio do poder público, tornando o trabalho das empresas de jogos alternativos, também conhecidos como indie, mais difícil de ser reconhecido. Os produtores de jogos indie geralmente trabalham em pequenas equipes de no máximo vinte pessoas, abordando diversos temas e formatos que jogos mais tradicionais não conseguem abordar devido as demandas do mercado.

A indústria de games é composta por diversas empresas grandes. Xbox e Playstation estão aí para provar essa hegemonia. Por conta de anos de sucesso, grandes empresas de games acabam ficando presas a modelos de jogos e apostando nisso todos os anos para movimentar suas vendas.

Mesmo com a forte e consolidada concorrência, o mercado de jogos indie está crescendo muito rápido no Brasil. Em oito anos o número de empresas que produzem jogos de forma independente cresceu mais de 600%. Se você tem curiosidade de saber quem são e onde se localizam essas empresas, o site Mapa da Indústria de Jogos, copilou todas as empresas brasileiras da área.

Esse crescimento está acontecendo, pois os produtores de jogos independentes têm uma liberdade maior de diversificar seus games. Muitos dos jogos indies são inspirados em clássicos da infância de muitas pessoas. E jogos clássicos que já fazem muito sucesso entre os jovens acabam tendo um custo menor para serem produzidos, juntando o útil ao agradável.

Quando foi lançado em meados de 2013, o Playstation custava mais de 4 mil reais. Na época esse valor era ainda mais salgado do que é hoje, e acabava que os games não eram tão acessíveis assim para grande parte da população brasileira. Atualmente é muito mais comum encontrar pelo menos um console ou computador que suporte algum jogo nas casas das pessoas. E essa acessibilidade foi fundamental para o crescimento das empresas indie.

Além disso, grande parte dos jogadores usam o celular como plataforma de jogo. E muitas empresas de jogos indie aproveitam esse espaço para seus jogos, principalmente na plataforma Android.

Ano passado a Brasil Game Show (BGS) entrou para o calendário de eventos da Playstation, um grande passo para o maior evento de games da América Latina. E o destaque maior da feira fica por conta da Área Indie, onde desenvolvedores de jogos se reúnem para apresentar seus games e se possível até conseguir apoio.

Um dos expositores da área indie é a Café Quente Multimídia, que conta com dois funcionários, Adriano Virgulino e Breno Giovanelli, que vieram do interior do Espírito Santo e conseguiram um apoiador que disponibilizou transporte e moradia para que pudessem expor o game A Jornada durante o evento. Para eles o mercado de games brasileiros é de fato crescente e isso é visível, pois, mesmo com os estandes das grandes empresas Playstation e Xbox, muitas pessoas vão ao evento especialmente para apreciar a área indie. Eles também contaram que uma das maiores dificuldades é que ainda não há retorno suficiente para poder viver disso, e é um trabalho que demanda muito tempo, programador Breno Giovanelli passou três meses focado em terminar o jogo para apresentá-lo na feira.

Os organizadores da BGS afirmaram que o evento desse ano pretende dar ainda mais destaque para os desenvolvedores de jogos brasileiros. A feira que acontece no mês de outubro entre os dias 10 à14, promete trazer novidades das grandes marcas de game, e também ainda mais visibilidade para os jogos brasileiros.

 

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