Bicicletas compartilhadas: Uma nova forma de mobilidade em São Paulo

Por Carolina Tribst e Juliana Munaro

Desde o mês passado, bicicletas amarelas têm aparecido por São Paulo, espalhadas por vários bairros . Esta ação faz parte do projeto de compartilhamento sem estações fixas, Yellow Bike, que acaba de estrear na cidade.

A ideia permite que os usuários deixem as bikes em qualquer lugar para que outra pessoa para outra pessoa pegar. O sistema é acionado por um aplicativo de celular e custa R$1 a cada 15 minutos.

O grande diferencial da Yellow Bike está no fato do usuário poder deixá-la onde quiser. A empresa ainda disponibiliza um serviço de cadastro para pessoas interessadas em ter um ponto de referência da bike em seu estabelecimento, condomínio comercial ou residencial, apenas preenchendo um formulário.

De acordo com o site da Yellow Bike, o objetivo do projeto é facilitar a forma como as pessoas se locomovem na cidade, seja indo para o trabalho, para a faculdade, para o almoço ou para escapar do trânsito, utilizando ela ao invés de pegar um ônibus, por exemplo.

Bicicletas da Yellow Bike estacionadas em frente a estação de trem Giovanni Gronchi (linha lilás)

O projeto começou no dia 2 de agosto, com 500 bicicletas nas regiões da Faria Lima, Itaim e Vila Olímpia e apenas nas primeiras duas semanas, foram realizadas mais de 40 mil corridas. Na segunda semana após o lançamento, a empresa aumentou para dois mil o número de bikes nas ruas. Grande parte dos modelos se concentram em áreas nobres da zona oeste, como bairros do Itaim Bibi, Pinheiros e Vila Leopoldina, já que estas áreas disponibilizam ciclofaixas facilitando o trajeto dos ciclistas.

Entretanto, é possível perceber que muitas magrelas foram deslocadas para fora do centro expandido, de acordo com o aplicativo, em bairros periféricos da zona sul, zona norte e zona leste, como Capão Redondo, Jardim Paulista e Brasilândia.

Durante este período de testes, muitos vídeos e imagens de bicicletas sendo roubadas, depredadas e danificadas começaram a circular pelas redes sociais. Alguns usuários simplesmente não tem respeito pelo serviço. Todavia, a empresa Yellow Bike comunicou que os casos de furto e danos foram previstos e não atrapalham a operação do projeto.

Em uma entrevista para o Jornal da Gazeta, o presidente da startup, Eduardo Musa explica que as bikes já foram montadas pensando nisso. Ouça a entrevista abaixo.

Além disso, são rastreadas por sistema GPS, o que já evitou episódios indesejados e ainda levou à recuperação de bicicletas e à apreensão de pessoas envolvidas nesses casos”, afirmou a empresa no comunicado.

Foto retirada do Facebook

Mas não é só em São Paulo que as bikes compartilhadas estão sendo depredadas. Alguns serviços semelhantes a Yellow pelo mundo já foram obrigados a parar de operar após sofrerem vandalismos e furtos, de forma irreversível.

Segundo publicação do site BuzzFeed startup chinesa Gobee, por exemplo, já deixou Paris e Bruxelas após sofrerem uma destruição em massa em sua frota. Em Cingapura, o serviço OBike chegou a pescar quase 50 bicicletas de dentro de um rio na Austrália e em seguida abandonaram definitivamente a operação no país.

No Brasil, a expectativa de prosperidade do serviço está alta. Já foram realizadas mais de 150 mil corridas e a empresa tem como plano disponibilizar 20 mil modelos até novembro deste ano e 100 mil para o ano que vem.

Além disso, em uma entrevista para o site “Pequenas Empresa, Grandes Negócios”, a Yellow afirma ter recebido um investimento de US$ 63 milhões (cerca de R$ 262 milhões na cotação atual). O aporte foi liderado pela GGV Capital, uma empresa de venture capital com base em Menlo Park, na Califórnia, mas também com sede na China. Com este investimento, a startup tem planos de investir na expansão nacional e internacional. De acordo com a entrevista, no início, a Yellow diz que tem o objetivo de expansão para grandes cidades do interior paulista e outras capitais brasileiras e no futuro, iniciar uma operação na Cidade do México. Complementa ainda que outros mercados internacionais, como Argentina, Chile e Colômbia também estão no radar.

 

Leave a Reply