Após um vídeo de uma tartaruga com um canudo entalado no nariz ter viralizado na internet, restaurantes, lanchonetes e supermercados anunciaram medidas para a gradual diminuição do objeto em . A prefeitura do Rio de Janeiro, por exemplo, foi mais radical e proibiu o uso de utensílios feitos de plástico.

No entanto, de acordo com o relatório da NBC News de 2018, a fonte de nossos esforços para acabar com o descarte irregular de canudos de plástico pode estar equivocada. A pesquisa aponta que o maior poluente produzido pelo homem nos oceanos não são os canudos, nem mesmo sacos plásticos, mas, sim, bitucas de cigarro.

É comum as pessoas jogarem bitucas diretamente nas praias, mas com maior frequência esses produtos chegam aos oceanos por meio de bueiros e córregos do mundo inteiro. Elas se desintegram formando microplásticos que são facilmente consumidos pelos animais que vivem nos oceanos.

Atualmente, não existe nenhuma regulamentação para o descarte correto das bitucas, o que faz com que um número enorme do produto atinja os mares e oceanos. Mas várias pessoas e organizações estão lutando para mudar essa situação. A ONG Ocean Conservancy patrocina todo ano uma ação de limpeza em praias, desde 1986. Por 32 anos consecutivos, as bitucas de cigarro foram o item mais coletado das praias no mundo todo.

A organização Cigarette Butt Pollution pretende mudar este cenário e espera banir os filtros dos cigarros produzidos com acetato de celulose, um tipo de plástico que pode levar mais de uma década para se decompor. De acordo com a organização, 5,6 trilhões de cigarros feitos com esse filtro a cada ano, até dois terços são descartados incorretamente.

Thomas Novontny, fundador da Cigarette Butt Pollution e professor de saúde pública, disse à NBC que os filtros não proporcionam benefícios à saúde. Eles servem, na verdade, como uma ferramenta de marketing. E não são apenas ativistas que se comprometem a conscientizar a população sobre os danos causados pelas bitucas ao meio-ambiente. As próprias empresas de tabaco analisaram de tudo, desde filtros biodegradáveis à distribuição de cinzeiros portáteis para evitar o aumento de lixo nas ruas.

Enquanto empresas de tabaco continuam a buscar alternativas para filtros de cigarro, a ONG luta para aprovar uma legislação que proíba os filtros. Contudo, as tentativas até agora falharam, em grande parte, devido ao fato de que muitos deputados ainda recebem contribuições de campanha da indústria do tabaco.

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