World Gay Games: Jogos Olímpicos da Diversidade

Gay Games leva representatividade e dá abertura para todos jogarem

Foto: Regis Duvignau – Reuters

Por: Marina Benini e Mayara Akie

A cada quatro anos acontece o maior evento de futebol mundial, a Copa do Mundo. Meses depois é realizado o maior evento esportivo de diversidade do mundo, o Gay Games. Assim como nas Olimpíadas, nos Gay Games são praticados muitas modalidades. Na última edição, foram disputadas 36, algumas não tão comuns, como boliche ou dança.

A primeira edição dos jogos aconteceu em 1982, em São Francisco, nos Estados Unidos. Naquele ano, participaram cerca de 1350 atletas, de 10 países diferentes com 22 modalidades esportivas.

A décima edição dos Games aconteceu em agosto, entre os dias 04 e 12, em Paris, na França. Foram quase 13 mil participantes de 91 países diferentes. E apesar do nome, os participantes não são necessariamente homossexuais, os héteros também podem participar, mas o evento, em si, é para promover a diversidade, seja entre as orientações sexuais ou gêneros.

Da mesma forma que acontece nos megaeventos, o Gay Games também tem uma cerimônia de abertura, apresentação de cheerleader e delegações. Já na cerimônia de encerramento são diversas apresentações artísticas.

Tom Waddell: fundador do Gay Games

Thomas Waddell (1937/1987) nasceu em Paterson, New Jersey, e foi um atleta de declato. Waddell participou dos Jogos Olímpicos, na Cidade do México, em 1968. e sempre teve engajamento na militância homossexual e nos direitos humanos.

Quando John Carlos e Tommy Smtih foram punidos, nas Olimpíadas de 68, por abaixarem a cabeça e ergueram o braço com a mão fechada e luvas negras em referência aos Panteras Negras, no pódio, Waddell protestou contra o Comitê Olímpico Estadunidense.

Wikipedia

Thomas Waddell – Wikipedia

Waddell criou os jogos em 1982, com um “sonho de um mundo onde a palavra igualdade teria exatamente esse significativo, libertando todos de rótulos e exclusão em relação a qualquer diferença”. Ele é considerado o “pai dos Jogos Gay”, e idealizou o Gay Games como “um festival direcionado a homossexuais, porém não restritivo a outras orientações; um evento concebido para promover o orgulho gay e o ideal Olímpico tradicional: ‘educar pelo esporte para um melhor entendimento do mundo’”

Brasil no Gay Games 2018:

Os 58 atletas brasileiros fizeram história em Paris, isso porque o Brasil nunca havia ganhado uma medalha em outras edições.O Brasil conquistou 24 medalhas na décima edição do Gay Games, sendo 9 ouro, 11 prata e 4 bronze.

A primeira medalha na história do Brasil, na América Latina, e na esgrima foi conquista pelo Fábio Lemes que ficou com o bronze. Já a primeira de ouro foi na corrida de rua com a Ana Luiza dos Anjos Garcez, já conhecida pelas vitórias nas corridas de rua em São Paulo e Nova York. “Ana Animal” como é conhecida é uma ex-moradora de rua e ex-usuária de drogas. A atleta conquistou o ouro 3 vezes (corrida de 10 km, de 5km e a meia maratona (21km). Confira os demais ganhadores na tabela abaixo:

Países sedes

A décima primeira edição, em 2022, será em Hong Kong, na China.

Importância da representatividade

Os jogos da diversidade têm a intensão de propagar tolerância e o respeito. Pela a primeira vez uma delegação brasileira representou o país, a Espírito Brasil, que nesse ano, em Paris, levou entre 58 atletas. O número subiu muito desde os primeiros jogos, em média 10 atletas brasileiros representavam a nação brasileira no Gay Games.

A busca da igualdade foi o incentivo necessário para a invenção do Gay Games, que simboliza a diversidade. Jogos para todos encorajam pessoas a serem quem elas são, no mundo esportivo e fora dele. Jogos que deveriam não ser exemplo para as Olimpíadas, mas uma obrigação social.

Ameaçadas pela figura do atleta branco e hétero, o esporte ainda é palco de muitas manifestações preconceituosas, e é muito comum que estereótipos sejam determinados para atletas que praticam alguma modalidade.

REUTERS – Regis Duvignau

Como exemplo, no futebol, se incentiva da virilidade, o homem é posto sempre reafirmando sua masculinidade, demonstrada de forma violenta. Automaticamente leva a violência para os estádios e arquibancadas. A maior parte dessas atitudes é direcionada aos homossexuais, enquanto no Gay Games, o time de futebol homossexual leva a essência do esporte como comunidade.

As Olimpíadas são eventos que atraem povos do mundo todo, se tornando palco de manifestações políticas, ideológicas, religiosas, étnicas e etc. Mesmo com diversos momentos de manifestações, o mundo ainda não está preparado para receber todas as pessoas e a diversidade. Com a criação do Gay Games, todos são livres para ser quem quiserem, para apenas serem.

A verdadeira mensagem das Olimpíadas serem o momento de “paz e harmonia entre os povos, respeito, igualdade e amizade” se torna falha, e é necessário um meio para que as pessoas possam finalmente ser quem elas são.

Mais uma vez o Gay Games é bem-sucedido ao levantar a bandeira do Orgulho LGBTQ+ e da diversidade, levando para os países ao redor do mundo os valores como respeito, inclusão e união.

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