O FIM DA ABRIL E O JORNALISMO DE MODA

por João Pedro Daleffe e Marina Passos

Com uma dívida de R$1,6 bilhão, o Grupo Abril criou projetos para reduzir as despesas da empresa. Isso inclui o corte que aconteceu no dia 6 de agosto, fechando diversas publicações como as revistas “ELLE”, “Arquitetura e Construção” e “Cosmopolitan”. Ao todo, foram demitidas 800 pessoas, incluindo 150 jornalistas, segundo sindicato da categoria de São Paulo. Com a queda da circulação de publicações impressas, as perdas somaram R$ 137,8 milhões em 2017. Essa foi a segunda demissão em massa em menos de um ano, quando, em dezembro de 2017, o grupo reduziu o número de funcionários com o objetivo de diminuir os gastos. 

Um dos fatos que prejudicou a situação econômica da Abril foi a venda da Abril Educação por R$ 1,3 bilhão em 2015. Hoje, das 4 unidades que compõem o Grupo Abril, a única que cresceu nos últimos anos (10%) foi o Total Express, que oferece serviços de entrega de produtos comprados pela internet.

Uma das maiores perdas para o consumidor foi o fechamento da revista francesa “ELLE”, que deu espaço e voz às mulheres na mídia e na sociedade, no final da década de 1940. Criada por Helena Gozon e Pierre Lazareff, a revista surgiu no pós-guerra, com o intuito de  ser acessível a todas as mulheres modernas e apaixonadas por moda. Foi nesta época que”ELLE” se tornou um ícone, inclusive na implantação do movimento feminista (anos depois, foi uma das primeiras revistas a entrar nas plataformas onlines e discutir o feminismo no Brasil), além de revelar grandes nomes da moda como Brigitte Bardot e Regina Guerreiro. A primeira edição brasileira chegou às bancas em maio de 1988, com uma capa verde e amarela, com Julie Kowarick– modelo brasileira, fotografada pelo renomado fotógrafo J.R.Duran.


JORNALISMO NO BRASIL

O jornalismo brasileiro é marcado por várias fases em sua história. A imprensa era controlada pela coroa portuguesa que censurava todas as publicações, impedindo seu avanço, assim como a falta de leitores- na época, grande parte da população era analfabeta. Esta situação mudou com a chegada da família real portuguesa ao Brasil, em 1808, que veio acompanhada de pessoas letradas, provocando mudanças significativas para o desenvolvimento da economia e aumento de leitores.

Durante a ditadura militar, de 1964 a 1985, a imprensa sofreu forte censura através do DIP (departamento de imprensa e propaganda), criado por Getúlio Vargas em 1931 e que ficou em funcionamento até o fim da ditadura.  Vários ataques foram feitos a redações e jornalistas que chegaram a ser  presos, torturados e até mortos pelos militares, dentre eles Vladimir Herzog, morto em 1975.

A partir dos anos de 1990, a internet foi se popularizando e surgiram as primeiras versões online de jornais. No caso da Abril,  não foi um processo muito fácil e as diversas reformulações ao longo dos anos não foram suficientes para tirá-la da crise. Diversas publicações foram cortadas, incluindo suas versões online. “Nos últimos anos, o setor vem passando por uma profunda transformação tecnológica que afetou fortemente as empresas de mídia no Brasil e no mundo, com impacto na circulação de revistas e na receita de publicidade. A Abril vem se ajustando a essa nova realidade através de redução de custos e despesas.”, segundo o comunicado oficial da Abril. Atualmente restam apenas 24 marcas na editora.

JORNALISMO DE MODA

A moda é um objeto cultural e social, por isso, tornou-se um assunto muito interessante para os meios de comunicação. Todos estão envolvidos com a temática, seja com um politico conquistando seus eleitores, ou um economista na entrevista de emprego. A moda é uma necessidade que reflete no comportamento de uma sociedade, convertendo todos os discursos e atitudes da modernidade.

Hoje, as celebridades, mesmo sem grandes conhecimentos, são transformadas em líderes de opinião. Elas ganham tanta importância que influenciam no comportamento e na moda. As pessoas seguem e desejam o estilo de vida dos famosos, construindo uma fantasia em torno deles. As revistas de moda se tornaram meras publicações baseadas em ilustrações; criando um perfil narcisista e individualista.

Diferentemente da revista “ELLE”,  que, com conteúdo, mas usando linguagem mais popular, conquistou muitos leitores e admiradores no Brasil. Sua  presença digital (especialmente nas redes sociais) era muito importante para o segmento da moda, pois engajava o público às causas sociais e não oprimia as mulheres impondo padrão de beleza. Infelizmente, a revista não aguentou a pressão da era digital dos influenciadores e foi engolida pela crise que o jornalismo vem passando nos últimos anos.

Para o jornalismo de moda, os blogs e influenciadores digitais estão cativando o leitor que não tem tempo e paciência para consumir notícias. Postagens nas redes sociais com lindas fotos e pequenos textos ganharam o público, um dos motivos da crise do jornalismo. No caso da revista “ELLE”, por mais impactante e imponente que fosse a revista francesa, esta foi perdendo espaço para o novo jornalismo independente e blogs.

FONTES:

https://www.valor.com.br/empresas/5738621/grupo-abril-pede-recuperacao-judicial

https://www.grupoescolar.com/pesquisa/jornalismo-no-brasil.html

https://comunicacaopublicaufes.wordpress.com/2012/02/10/historia-do-jornalismo-no-brasil/

 

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