Eles estão desaparecendo

Extinção de anfíbios é agravada por poluição e desmatamento

Sapo-Cururu (Rhinella Marina). Foto tirada pela bióloga

Por Carine Roma

Pode parecer um pouco estranho falar sobre essa extinção. Na maioria das vezes, lemos matérias sobre outros animais que estão desaparecendo, como a arara-azul, o macaco-aranha, o lobo-guará. Mas o destaque irá para um bicho que está bem próximo do que imaginamos: o sapo.

Um artigo no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, aproximadamente 200 espécies de sapo desapareceram entre 1960 e 1990, o equivalente a 3,1% do total de 6,3 mil espécies catalogadas. E nesse século, nada melhorou. Estudos publicados nesse periódico estimam que a taxa de extinção dos sapos chegará a preocupantes 6,9%. Outro dado levantado pelo relatório, é que 43% das espécies de anfíbios apresentam redução de tamanho.

Os sapos são importantíssimos para o nosso ecossistema e na natureza para a redução no número de pragas, alimentando-se delas. Além disso, são considerados indicadores ambientais, pois possuem uma pele fina e permeável, altamente sensível ao equilíbrio bioquímico das águas e à qualidade do solo ou ar, do que os torna uteis para identificar ambientes comprometidos para a fauna. Como se não bastasse, eles são a base alimentar de outros grupos de animais, como répteis, aves, mamíferos e até mesmo invertebrados e também são importantes no transporte de nutrientes, como fósforo e nitrogênio, do ambiente terrestre para o ambiente aquático . Exemplo das espécies que estão no ranking da extinção são: perereca-de-folhagem-com-perna-reticulada, rã do Rio Mutum e euparkerella robusta.

A bióloga Larissa Ribeiro, especialista na fauna brasileira, aponta que percebeu muito a decadência dos sapos no zoológico em que trabalhava na cidade de Sorocaba, interior de São Paulo. Ela diz que em qualquer lugar está difícil de observar os sapos com a facilidade de antes e que isso a preocupa muito.

Bióloga Larissa Ribeiro

Desde muito tempo, o homem explora o meio ambiente de maneira incorreta. Os lugares em que os animais vivem passam a ser alterados e totalmente fragmentados, destruídos. Exemplo disso é o ambiente natural entre áreas urbanas, industriais e de uso agrícola.

O espaço para ele está ficando cada vez menor e suas áreas estão mais distantes e modificadas. Essa redução de tamanho e o crescente isolamento passam a ter reflexos diretos e indiretos sobre a diversidade biológica como um todo, sendo considerada uma das principais causas do declínio mundial dos anfíbios.

A especialista afirma que as principais causas para esse desaparecimento “estão relacionadas à poluição, desmatamento, aquecimento global, introdução de espécies exóticas no ambiente em que eles vivem, pois passa a competir com a espécie nativa” e cita como exemplo que uma espécia de perereca pode depositar ovos em determinadas plantas e elas são dependentes delas para se reproduzirem. Caso elas desapareçam, as pererecas deixarão de existir ou seja, o isolamento de algumas populações das outras pode aumentar chances de cruzamento entre indivíduos de parentesco próximo, resultando numa diversidade genética, aí passa a aumentar a chance de ocorrerem problemas afetada por agentes infecciosos, uma espécie passa depender da outra.

Perereca-castanhola (Itapothyla langsdorffii). Foto tirada pela bióloga

Foto tirada pela bióloga.ureza e particularmente, os anfíbios. Além de tudo, deve-se ter cautela com o meio ambiente como um todo, buscando reduzir a poluição e mostrar às pessoas que eles não são ‘inimigos’, mas, sim, umas das principais peças dentro do meio ambiente.

Um possível caminho para o aumento dos anfíbios na natureza, segundo Larissa Ribeiro, seria a reprodução das espécies em cativeiro, mas ela apresenta um contraponto. Caso eles fossem soltos na natureza, não iriam sobreviver. Diante disso, a única resolução possível, seria resolver os problemas relacionados ao ambiente em que eles vivem, um trabalho difícil e que deve ser realizado de maneira coletiva.

Para isso seria necessário ter a educação ambiental em busca da conscientização. Outra alternativa apresentada pela bióloga, que interfere na vida dos anfíbios, é a tecnologia voltada à reciclagem e redução de resíduos, que ajudaria outras espécies e é essencial, pois ajudando a natureza, também nos ajudamos.

 

 

 

 

 

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