Um lugar para redescobrir a beleza do corpo dos animais

Antes restrito aos estudantes, o Museu de Anatomia Veterinária e Zoologia da USP está aberto ao público desde 1984 e oferece uma enriquecedora experiência interativa

Foto: Kauan Miquelino

Foto: Kauan Miquelino

Por Kauan Miquelino

O Museu de Anatomia Veterinária Prof. Dr. Plínio Pinto e Silva (MAV) é integrado à Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo. Com a missão de promover a educação e a pesquisa nas áreas de morfologia e anatomia animal, ele foi aberto ao público em 1984. Com o passar do tempo, por meio de trabalhos de pesquisa, doações e permutas, o museu atingiu seu acervo atual, com mais de mil exemplares.

O MAV conta com uma única e permanente exposição aberta em 2010, intitulada “Dimensões do corpo: da anatomia à microscopia”, composta em sua maioria por mamíferos. A exposição foi inicialmente produzida por Maurício Candido da Silva, atual chefe da seção administrativa do museu. Contudo, como o MAV não tem peças guardadas para alternar exposições, a solução para evitar a monotonia, segundo Crislaine Farias, funcionária do museu, foi realizar mudanças constantes com o que o ele já possui, trocando as vitrines e a disposição das peças no espaço.

O estudo anatômico é importante para a medicina e depende da dissecação de animais mortos (por acidentes ou causas naturais). “O MAV recebe apoio [animais] de zoológicos, concessionárias de rodovias e do hospital veterinário da universidade”, afirma Crislaine.

As peças, entre elas animais aquáticos, aves, marsupiais (gambás e cangurus), carnívoros, roedores, bovídeos (ovelhas, cabras e bois), suídeos (javali) e primatas passaram por diferentes técnicas de conservação, tornando-se material de estudo e pesquisas. Antigamente eram usadas no desenvolvimento de novas técnicas de preservação dentro do museu.

Foto: Kauan Miquelino

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Atualmente não acontecem mais pesquisas no campo da conservação. O MAV apenas reproduz as técnicas já existentes. “A pesquisa mais recente foi a do processo de glicerinação, diz Crislaine, sobre o estudo realizado por Edinaldo Ribas Faria, auxiliar do museu.

A glicerinação é uma técnica de conservação que permite manter os tecidos úmidos (consequentemente mais fiéis a sua textura, cores e tamanhos originais) sem necessidade de imersão da peça em soluções conservadoras. O processo substituiu a desidratação, aumentando a duração das peças expostas no museu e usadas nas aulas de anatomia da universidade.

A prática surgiu no século 18 com a invenção da glicerina, mas só um século depois o italiano Carlo Giacomini sugeriu sua utilização na conservação de peças anatômicas. No Brasil, a técnica é utilizada em grande parte das faculdades de medicina e veterinária, pois as peças, após o processo de glicerinação, ficam mais fáceis de manusear, além de possuírem menos odores e peso.

Para a estudante Beatriz Anselmo, visitante do museu, a experiência, no MAV foi muito enriquecedora, por permitir “colocar o conhecimento em prática, vivenciar a teoria de modo mais empírico, visualizando os animais, tendo noção de sua proporção, e seu tamanho”. Além do fato de  o museu, repleto de animais silvestres, representar uma fuga, “um mundo à parte em meio à selva de pedra”.

Beatriz pretende voltar ao museu, convicta de que lugar tem muita informação para uma visita só. E para pessoas que, como ela, desejam ter uma boa primeira experiência ou uma segunda melhor ainda, o museu está organizando novas estantes, em breve terá novos artigos. A primeira já está confirmada, é uma estante composta apenas por animais sem dentes.

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