Embora improvável, nova crise hídrica não está descartada

É preciso concluir obras e ampliar medidas de precaução, dizem especialistas

Por Alice Simi

Em maio, o Sistema Cantareira, principal reservatório de abastecimento de água, atingiu 50% da sua capacidade máxima e portanto começaram as perguntas sobre uma possível nova crise hídrica, pior ou igual à que sofremos em 2014. Porém, as medidas que o Governo tomou naquela ocasião torna improvável um problema da mesma amplitude, mas não anula a chance de uma nova crise caso não haja medidas de prevenção.

É fato que o governo do estado tomou algumas precauções para que não houvesse outra crise hídrica que atingisse as mesmas proporções que as de 2014 e entre elas a transposição de água da represa Jaguari. Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a transposição de água da represa, que une a bacia do Rio Paraíba do Sul com a represa de Atibainha, do Sistema Cantareira, aumenta pelos próximos anos a segurança do abastecimento das regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas –de acordo com a Sabesp a obra reduz de 6,7% para 0,4% o risco de o Cantareira não conseguir atender à demanda.

Além de politicas públicas e obras para evitar uma crise, vale lembrar o quanto o papel da sociedade também é importante nisso. Depois da ultima crise por exemplo, as pessoas começaram a mudar seus hábitos dentro de suas residências, o que também contribui para uma economia de água, ou seja, a crise trouxe alguns pontos positivos. No começo de 2018, o consumo na região metropolitana era 15% menor do que antes da crise. A Sabesp produz hoje 60,9 mil litros de água por segundo para atender 21 milhões de moradores da região. A demanda era de 71,4 mil l/s há quatro anos. Os 10,5 mil l/s poupados dariam para abastecer 3 milhões de pessoas por dia. Entretanto, nenhum desses dados anulam o fato de que o problema da crise hídrica não está de vez resolvida, como anunciou o ex-governador Geraldo Alckmin, em 2016, o que acabou ocasionando o atraso de diversas obras.

Em março de 2016, Pedro Cortes, especialista em recursos hídricos e professor da Universidade de São Paulo, alertou sobre o nível do Cantareira e disse que indicava ser prematura a decretação do fim da crise. Dois anos depois e o ultimo mês de maio foi o mais seco dos últimos 18 anos, e o nível do Cantareira chegou antes do fim deste mês, a 48,1% – sem considerar o volume morto –, o mais baixo registrado antes da crise de 2014.

Pedro Côrtes diz que uma das soluções para prevenir a crise seria a recuperação dos rios que cortam São Paulo e as cidades no entorno. Ele também destaca que o governo precisa buscar alternativas sustentáveis para solucionar esse problema. Como por exemplo os investimentos em educação ambiental para a população, mostrando as alternativas que poderiam ser tomadas para a captação e reuso de água.

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