Germes e bactérias em pauta

Apostando na interatividade, Museu de Microbiologia recebe 100 mil visitantes por ano

Por Marcelo Barbirato Audinino

O Instituto Butantan sempre foi conhecido pelo grande acervo de cobras, aranhas e répteis que permitiam aos visitantes o contato com animais muito distantes do dia a dia. Além disso, o local conta com uma grande área ao ar livre que atrai dezenas de pessoas para a prática de atividades físicas, um espaço cultural riquíssimo e suas diversas instalações para descobertas científicas.

Hoje, o Butantan é responsável pela maioria das vacinas em território nacional. Ainda é a empresa responsável pela produção da vacina contra os quatro vírus da dengue, que ainda se encontra em fase de testes, mas que será um marco na ciência brasileira assim que aprovada.

Sendo tão relevante nessa área e visando a aproximação do mundo microscópico dos “germes” com as crianças e adultos, o Instituto Butantan montou, em 2002, um museu específico para esse tema. O idealizador desse projeto foi o ex-diretor do instituto, Dr. Isaias Raw, que queria restaurar o antigo prédio do refeitório e achava necessário mostrar ao público como se dava o estudo de uma das principais funções do Butantan: a microbiologia e a produção de vacinas. “Um museu que mostra o que é um micróbio, o que é uma vacina e o que se pode aprender e fazer”, disse Raw.

O local contém um salão expositivo cheio de microscópios para imersão do visitante no cotidiano do microbiólogo. Neles são observadas gotas de água dos lagos, hemácias, bactérias e protozoários. Além disso, uma grande mesa narra a história dessa área da ciência, sua evolução e o processo de descoberta das doenças e seus métodos de transmissão.

Interior do Museu Reprodução: Instituto Butantan

A exposição também dispõe de alguns computadores para o apoio e interatividade com o visitante, além de uma área reservada apenas para crianças de 4 a 6 anos, inaugurada em 2010. O espaço ainda possui um auditório para 42 pessoas, laboratório didático para visitação e prática de alunos do Ensino Médio e, ao fundo do prédio, uma praça conhecida como “Praça dos Cientistas”.
O museu, atualmente, conta com um volume de 90 a 100 mil visitantes por ano. Para Glaucia Colli Inglez, diretora do museu, o número alto de visitas tem uma explicação. “A arquitetura do museu, por fora e por dentro, chama muito a atenção, mas a possibilidade de as crianças e adultos interagirem com os microscópios é o principal fator”.

O Instituto é conhecido mundialmente pela sua produção de vacinas?—?referência e principal produtor na América Latina nesse quesito. Porém, cada vez mais investe na área de cultura e produções que despertem a curiosidade científica nos jovens.

 História da Microbiologia

A microbiologia nasceu em 1674, devido à curiosidade do mercador holandês Anton van Leeuwenhoek. Ele decidiu analisar diferentes elementos, uma gota de água do Lago, o solo e fezes em seu microscópio (ainda bastante precário) e se deparou com vários corpúsculos presentes em todas as análises.

A grande questão em torno daqueles seres que viviam na água era como haviam surgido. Durante muito tempo acreditou-se na geração espontânea (abiogênese), mas no século XIX o experimento de Louis Pasteur mostrou que os micro-organismos poderiam ser cultivados em meios de cultura e que o ar era a principal maneira de transmissão.

Carlos Chagas

O experimento de Pasteur consistia em ferver dois caldos orgânicos e tampar apenas um deles. Ao analisá-los posteriormente, verificou-se que apenas o que não havia sido tampado apresentava os micro-organismos. As descobertas de Pasteur deram início à época dourada da microbiologia.

Assim como Pasteur, Josef Lister acreditava que os micróbios estavam presentes no ar, mas se diferenciava ao defender que eram os responsáveis pela maior parte das infecções e doenças. Esta teoria recebeu o nome de “Teoria microbiana da doença”. Motivado, Lister desenvolveu uma maneira de amenizar as consequências microbianas em procedimentos operatórios e foi o primeiro defensor da utilização de ácido fênico nas cirurgias. Essa mudança diminui consideravelmente o número de mortes pós-operatórias.

Os seguintes avanços nos estudos da microbiologia permitiram a diferenciação dos micro-organismos (protozoário, vírus, algas, bactérias e fungos) e de suas características na organização celular. A identificação e descoberta das doenças bacterianas ocorreu principalmente entre 1875 e 1919, devido aos esforços de Robert Koch. No Brasil, destacou-se Carlos Chagas e suas campanhas contra as doenças locais. Em 1909 ele descobriu o protozoário Trypanosoma cruzi, responsável pela patologia que leva seu nome, a doença de Chagas.

Junto às descobertas das doenças vieram à tona o descobrimento de que os insetos, em alguns casos, eram os responsáveis pela transmissão dos micro-organismos causadores da patologia. Entre os exemplo, a dengue e a malária que são transmitidas pela fêmea do mosquito Aedys Aegypti, mas não são os responsáveis pela doença.

No ano de 1929, Fleming descobriu que o ácido fénico utilizado por Lister afetava consideravelmente os glóbulos brancos. Foi então que buscou uma solução e acabou descobrindo um fungo que produzia a penicilina, substância capaz de impedir a proliferação dos micro-organismos. A descoberta foi um marco e mudou a maneira de combate às doenças.

 

Informações

Avenida Vital Brasil, 1500 – Butantã

Horário de Funcionamento: terça a domingos das 9h às 16h45

Preço do Ingresso: R$ 6 (adulto); R$ 3 (professor da rede pública); R$ 2,50 (estudante); crianças até 7 anos e maiores de 60 anos não pagam.

 

 

 

 

 

Leave a Reply