Brasil brilha na luta de robôs

Equipes paulistas e cariocas conquistam prêmios em grandes competições mundiais 

Combate entre robôs. Foto: thunderatz.org

Combate entre robôs. Foto: thunderatz.org

Por Laura Brichesi

Uma competição entre duas equipes, na qual só uma sai como campeã, com direito a plateia e premiações, além de algumas transmissões em canais de televisão. Essa definição podia ser referente ao vôlei,  basquete, ou qualquer outro esporte convencional que envolva dois times adversários, mas não é. A modalidade que está sendo definida aqui é a batalha de robôs, gênero que cresce cada vez mais no Brasil. Nos último anos, equipes nacionais vêm crescendo e se destacando no cenário internacional. Desde 2013, o Brasil se sobressai, principalmente na categoria middleweight (peso médio), com robôs de até 55 quilos e sempre marca presença no maior combate internacional, a RoboGames, que acontece na Califórnia todo começo de ano, tendo como atual campeã a equipe RioBotz (equipe de robótica brasileira da PUC-Rio).

A maioria das equipes nacionais tem sua formação em universidades e as próprias competições também costumam ser sedeadas nos pátios das mesmas. Como por exemplo a disputa que ocorre no Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), em São Caetano do Sul, a Winter Challenge,  principal competição de robótica de combate (competição de luta entre robôs) no Brasil.

A rotina de pessoas que se dedicam a essa modalidade não é menos árdua que qualquer competidor de outra atividade esportiva. Horas de estudos sobre táticas e técnicas, estudos incansáveis de física, além de muita dedicação e suor, são elementos compõem a rotina desses jogadores.

Assim como em todo esporte e competições, as equipes possuem centros de pesquisas e de treinamento, onde se preparam para os próximos combates. Uma das mais tradicionais e premiadas equipes brasileiras, a ThundeRatz, possui um espaço no prédio de Mecânica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI), o ambiente é chamado de Gaiola devido a sua estrutura que se assemelha a uma e conserva nele vestígio de todas as competições que o grupo já participou,

como restos de robôs dos seus adversários que foram destruídos, troféus, medalhas e robôs antigos.

Gaiola vista de fora

Gaiola vista de fora com seus integrantes dentro.  Foto: Laura Brichesi

A Gaiola é um importante espaço para o desenvolvimento da robótica no Brasil, só o grupo ThundeRatz coleciona mais de 50 troféus em competições internacionais, o que impulsiona o estímulo de desenvolvimentos, estudos e pesquisas em tecnologia no país.

Equipes de robótica como a da POLI acabam sendo  patrocinadas  por empresas voltadas à área de mecatrônica  e mecânica, as quais, muitas vezes, fornecem os materiais necessários para a montagem dos robos, que normalmente têm um alto custo. Gabriel Asnar, capitão da ThundeRatz e aluno de engenharia mecatrônica da USP diz que sem patrocínio seria impossível a construção de um robô. Um dos últimos robôs do grupo, por exemplo, é estimado no valor de 20 mil reais e foi inteiramente construído com peças fornecidas pelos patrocinadores do grupo.

Apesar de ser uma área de interesse para um nicho específico de pessoas, as equipes contam com um participação significativa de integrantes e de público. A ThundeRatz possui 70 membros, sendo 12 mulheres e 58 homens e a procura dos estudantes de engenharia e diversas áreas da tecnologia é alta, sendo preciso haver um processo seletivo para fazer parte da equipe, segundo Gabriel Asnar.

Existem diversas categorias de batalhas de robô, cada uma com exigências específicas quanto às regras e à formação e construção da máquina.  Atualmente o último campeão brasileiro nos combates internacionais, o robô Dark Wolf, da equipe OgroBotz, de Sorocaba, pertence à categoria MMA, na qual as equipes competem para destruir a máquina adversária e, assim, sair vencedoras.

Entre as categorias nas quais os grupos brasileiros mais se destacam em competições, com base no número de vitórias das equipes, estão a Humanoides, feita por robôs com características humanas que competem suas habilidade para tarefas como subir escada, a MMA, na qual robôs que pesam em média de pouco mais de 100 quilos batalham até que apenas um vença, e a Featherweight (peso pena), que também são batalhas para a destruição do adversário, mas com robô leves, com uma média de 13 quilos.

 

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