Um aceno para o meio ambiente

Grandes marcas como Starbucks e McDonald's abandonam canudos de plástico

 Por Letícia Nunes

Depois da polêmica envolvendo as sacolas plásticas, o vilão da vez para o meio ambiente é o canudo. A guerra contra o produto ganhou força há três anos, quando o vídeo de uma tartaruga marinha oliva viralizou na internet.  No Brasil, a produção de canudos plásticos foi de 2,8 mil toneladas em 2015, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de possuir uma vida útil de apenas dez minutos, ele demora entre cem e 200 anos para se decompor na natureza.

A produção de canudinhos em larga escala teve início, nos anos 1960. De acordo com informações da VEJA, hoje calcula-se que ainda existam, como detritos, 8,3 bilhões de toneladas de objetos feitos de plástico. Além disso, a indústria do poliestireno colabora para o aquecimento global, emissão de gás carbônico na atmosfera, polui ecossistemas e ameaça a sobrevivência de animais em risco de extinção, como algumas das espécies de tartarugas marinhas.

Após forte pressão de ambientalistas e pessoas conscientes da necessidade de proteção do meio ambiente, grandes redes de fast-food decidiram adotar medidas que reduzam a quantidade de poluição plástica no mundo.

No Brasil, o Mc Donald`s anunciou que a partir de agosto iria deixar de distribuir espontaneamente os canudos descartáveis de suas lojas, e depois levará a iniciativa para outros países da América Latina. Com ação similar, o Starbucks e o Burguer King também deixarão de utilizar canudos de plástico. O Starbucks espera que até 2020 todas as suas unidades estejam nessa onda, e o Burguer King anunciou que até final de setembro todas suas unidades no Brasil terão aderido ao canudo de papel biodegradável.

Iniciativas como essas tiveram um alcance tão elevado que outros tipos de estabelecimentos como hotéis, resorts, safáris e cruzeiros também sentiram a necessidade de tornarem-se amigos do meio ambiente. Informações da VEJA, revelaram que o Grupo AccorHotels, que conta com mais de 4.300 residências, também lançou uma campanha para desestimular o uso dos canudos plástico. Os números eram assustadores: em 2017 a empresa consumiu 54 milhões de canudinhos na América do Sul. Com a ação, a rede diminuiu o uso do plástico em 20%.

A analista ambiental Clara Freire afirma que o desafio é gigante como o tamanho do planeta, “O plástico é um resíduo que tem que ser tratado pela indústria e pela sociedade não como algo que possa ser jogado fora. Não existe ‘fora’ quando isso significa jogar nos oceanos. A Política Nacional de Resíduos Sólidos já existe e foi feita uma conferência para que seja implementada. É um desafio que envolve a participação de todos.”

Foto: pinterest

 

No Brasil, por enquanto apenas a cidade do Rio de Janeiro adotou medidas legais contra o uso do plástico. Lá, bares, restaurantes e quiosques são obrigados a oferecer alternativas ao canudo de plástico desde o mês passado, e não seguir as regras pode levar a multas de R$ 6 mil. Outras cidades brasileiras, como São Paulo, ainda lutam adotar leis como essa e proteger o meio ambiente.

Grande parte dos consumidores já estão conscientizados sobre as consequências do uso do canudo plástico e levaram algumas empresas a se anteciparem à legislação. Para atender a nova demanda, os fabricantes de canudos de plástico estão buscando soluções que protejam o meio ambiente paralelamente aos novos empreendimentos que desenvolvem materiais alternativos.

 

Foto: divulgação

 

A fabricante de canudos Plastifer já começou a produzir canudos de plástico biodegradável e espera que a mudança atinja 100% da produção. Valney Aparecido, gerente-geral da empresa, disse em entrevista ao jornal O Estado de Minas que existe uma pesquisa desde janeiro para descobrir quem poderia fornecer o aditivo responsável por “quebrar” o polipropileno usado nos acessórios. “No começo, o valor do aditivo era tão alto que dobraria o preço do canudo. Agora o produto deve ter uma alta de 5%”, afirmou.

Outras empresas do setor disseram que ainda não fabricam canudos de papel, porém estão buscando informações sobre a matéria-prima alternativa para então estudar a possibilidade de incluí-la na linha de produção, visto que, assim como o mercado, o consumidor está muito mais exigente com a proteção do meio ambiente.

Em 2016, a Abiplast, associação que representa o setor de plástico, lançou o selo Senaplas que identifica as empresas recicladoras que trabalham dentro dos critérios sociais, ambientais e econômicos exigidos por lei. Apesar da onda que atinge grandes marcas e questiona hábitos em larga escala, por enquanto existem apenas 14 empresas que conseguiram o selo. São elas:

  1. Alcaplas
  2. Plaskaper
  3. Plastiweber
  4. Tecno recycling
  5. Lorenzon plásticos
  6. Cimflex
  7. Azeplast
  8. Termotécnica
  9. Plastlife
  10. Neuplast
  11. Plastibras
  12. JBS ambiental
  13. Bomlixo
  14. Wisewood soluções ecológicas

 

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