Mapas colaborativos renovam olhar sobre as cidades

Tecnologia virtual pode ajudar na implementação de políticas públicas; novas ferramentas permitem que qualquer pessoa mostre sua perspectiva sobre o território

 

Campanha Chega de FiuFiu

O mapeamento colaborativo é uma nova ferramenta de mapas virtuais em que os usuários podem gerar e alterar dados de acordo com suas necessidades em um mapa. Estas informações podem contribuir para a implementação de políticas públicas, além de estimular os cidadãos a participarem ativamente em seu território.

A inovação é a interação popular que o mapeamento colaborativo permite. Os mapas são recursos interessantes para a sociedade apontar problemas e soluções em determinados locais, além de compartilhar informações culturais. Essas ferramentas possibilitam que as informações sejam construídas coletivamente. Mesmo sem conhecimentos técnicos é possível alimentar os bancos de dados virtuais, o que resulta em mapas sobre diferentes temas e perceptivas.

A cartografia digital colaborativa pode ser dividida em dois grupos: mapas subjetivos e humanitários. O mapeamento subjetivo aborda os territórios por uma perspectiva de relatos de situações, observações e narrativas, como é o caso da campanha “Chega de FiuFiu”, do Coletivo Think Olga. Esse mapeamento é construído a partir de situações de assédio que mulheres viveram. Desta forma, as vítimas apontam geograficamente onde sofreram agressões verbais e físicas com o intuito de alertar outras mulheres e o poder público para locais pouco seguros.

Já o mapeamento humanitário consiste em dados de infraestrutura, como informações de ruas, rios, cachoeiras e estradas. Essa modalidade foi utilizada para mapear a cidade de Mariana após o desastre ambiental por conta do rompimento de barragens em 2015. Ainda neste ano está previsto um mapeamento da Chapada dos Veadeiros, com o objetivo de acompanhar a situação de áreas atingidas por queimadas.

Esses dois últimos mapas são produzidos através do Open Street Map. A plataforma foi criada na Inglaterra e é considerada o principal mapeamento aberto do mundo, sendo conhecida como a “wikipedia dos mapas”. Atualmente diversas plataformas estão disponíveis para demarcar informações em um recorte geográfico.

O engenheiro Vitor George, um dos idealizadores da plataforma Mapas Coletivos, afirma que o mapeamento colaborativo não é um contraponto aos mapas já existentes, como o do Google por exemplo. São na verdade complementares, um não exclui a existência do outro: “A produção de dados com licença aberta permite uma maior flexibilidade e possibilidade de alterar as informações acompanhando a dinâmica das cidades”, diz Vitor.

Dentro da plataforma Mapas Coletivos, ele destaca o projeto dos “Rios de São Paulo”. O mapa aponta o percurso que os cursos d’água fazem na cidade. A hidrografia paulista é pouco conhecida devido ao processo de urbanização que escondeu os rios embaixo do concreto. Portanto, ter um mapa que resgata memória de onde cada rio passa é construir conhecimento e uma nova percepção sobre a cidade.

“É uma grande ferramenta para a sociedade colaborar com os governos. É importante compartilharmos informações, é uma forma de construção social, traz transparência e efetividade em políticas públicas”, conclui Vitor.

O recurso de mapear coletivamente também é utilizado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, através do site “SP Cultura”. A plataforma consiste em mapear os equipamentos públicos e os agentes culturais que estão distribuídos no território com o intuito de articular e integrar o movimento cultural na cidade.

Leave a Reply