O futuro da exploração da Lua

Agências espaciais já planejam novas missões tripuladas no satélite

Por Pedro Kosa

Em 1969, a corrida espacial entre a extinta União Soviética e os Estados Unidos atingia seu auge. No dia 20 de julho deste ano, o homem pisava para Lua pela primeira vez. De lá pra cá, a humanidade já deu grandes passos para conhecer melhor o satélite que orbita a terra.

Apesar de que são quase 40 anos sem missões tripuladas para lá, as agências espaciais encontraram outras formas de estudar o corpo celeste. Diversos satélites e sondas foram enviados para buscar mais informações.

Há 9 anos, pesquisadores da Nasa anunciaram a descoberta de algumas moléculas de água na Lua. Na ocasião ao anunciar a descoberta, Carle Pieters, pesquisador da Universidade de Brown envolvido no projeto afirmou que “quando falamos de água na Lua, não estamos falando de lagos, oceanos ou poças”. No entanto, quase uma década depois, o cenário mudou.

Em agosto de 2018, pesquisadores da academia nacional de ciências dos Estados Unidos anunciaram a descoberta de gelo na região dos pólos da superfície lunar. De acordo com Shuai Li, um dos autores da pesquisa, a nova descoberta foi possível graças ao avanço na tecnologia. “Cientistas tinham dificuldade em explorar os polos lunares, em parte porque são regiões pouco iluminadas” afirmou o pesquisador da Universidade do Hawaii, em entrevista ao New York Times.

 

Os pontos azuis e verdes indicam a presença de gelo exposto na superfície lunar. (Foto: Academia Nacional de Ciências dos EUA/PNAS)

No ano passado, a sonda japonesa Selene encontrou uma estrutura de cavernas na Lua com comprimento de 50 quilômetros e largura de 100 metros, que poderia ser usada como base segundo cientistas da Jaxa, Agência aeroespacial de exploração do Japão

As novidades recém-descobertas sobre a Lua estão incentivando as agências a arquitetar novas missões tripuladas, com planos inclusive para a construção de bases no satélite natural. A Nasa tem planos para construir uma estação espacial na Lua até 2024. Batizada de “Gateway”, a estação servirá para exploração humana e robótica da Lua e de outros corpos do sistema solar. John Guidi, da divisão de Exploração Humana e Operação de Missões da Nasa, explicou que a estação poderá abrigar astronautas de diversos países “Não precisa ser tripulação americana. Queremos usar padrões de operação universais para controle da estação”, afirmou o cientista em entrevista ao site Space.com. “Queremos abrir a possibilidade de outras nações, outras empresas, chegarem lá”, diz, “Mas eles teriam que levar seus próprios recursos, já que pretendemos separar o suficiente apenas para nossas próprias missões” completa.

 

Vice-Presidente americano Mike Pence em visita ao Centro Espacial Johnson, em Houston (Foto: Nasa/Flickr)

 

A Agência Espacial Europeia, em cooperação com a Jaxa, também está apoiando esse projeto, e as duas miram objetivos ainda maiores: querem simular missões para locais mais distantes, até mesmo fora do sistema solar, a partir dos testes na nova estação.

A China também tem seus planos para a Lua. Entre dezembro de 2018 e ao longo do ano de 2019, o governo do país pretende enviar missões inovadoras. A primeira sonda deve ir a um lugar nunca antes explorado do corpo, a bacia Polo Sul-Aitken, que fica na face oculta do satélite. A outra missão é a Chang’e-5, que tem como objetivo trazer as primeiras amostras de solo Lunar desde a década de 1970. A última amostra que chegou a terra foi trazida pela  Luna 6, sonda da União Soviética, lançada em 1976.

Dois pesquisadores sugerem que na Lua já houve condições próprias para o surgimento da vida. Dirk Schulze-Makush, da Universidade Estadual de Washington, nos Estados Unidos, e Ian Crawford, da Universidade de Londres, no Reino Unido, investigaram a formação lunar há 3,5 bilhões de anos e chegaram a conclusão que as condições eram boas o  suficiente para sustentar o surgimento da vida, graças a grande quantidade de gases voláteis que o nosso satélite natural estava expelindo, inclusive vapor de água. Acredita-se também, que em seus primórdios, a Lua era protegida por um campo magnético.

Ainda existem estudos nesse campo e diversos especialistas estão tentando entender como funciona a lógica do campo magnético lunar. “Ainda estamos entender o que poderia ter causado esse campo magnético muito forte” explicou Krista Soderlund, cientista planetária da Universidade do Texas, em Austin. Em entrevista à LiveScience, ela explicou que sua equipe está tentando simular em computadores modelos do núcleo lunar que poderiam explicar esse campo.

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